Comunidade e educação no judaísmo - Revista Esquinas
REVISTA DIGITAL LABORATÓRIO
DA FACULDADE CÁSPER LIBERO

Comunidade e educação no judaísmo

Por Bruno Ascenso, Eduarda Lages, Gabriela Belintani e Rafael Gelin : outubro 10, 2018

Movimento de jovens une corpo à mente no aprendizado de crianças que seguem a religião

Existem inúmeros grupos de jovens destinados à estreitar vínculos com a comunidade e proporcionar momentos de descontração e aprendizado entre os fiéis de uma religião. No estado de São Paulo, entre as religiões com mais adeptos está o judaísmo, com pouco mais de 75 mil seguidores de acordo com o número da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp). No entanto, apenas nove movimentos judaicos juvenis estão espalhados por toda a cidade. Sendo uma religião muito voltada às suas raízes e dogmas de origem, a dinâmica desses grupos se mostra um pouco diferente do habitual. O Hebraikeinu é um deles, filiado à União Mundial Maccabi e que realiza suas atividades semanalmente aos sábados. “É um movimento juvenil, em que crianças e jovens até 16 ou 17 anos têm a oportunidade de vivenciar e aprender junto com outros jovens”, explica Amanda Baran, de 16 anos, uma das participantes do grupo.

Baseado na educação não-formal e no envolvimento exclusivo de jovens voluntários, o Hebraikeinu tem a missão de ensinar e fazer com que as pessoas que o frequentam cresçam de forma conjunta, aprendendo e formando amizades para a vida. No passado, esses movimentos não tinham exatamente essa função. Com suas primeiras aparições no Leste Europeu do final do século XIX, os encontros tinham como intenção migrar os jovens para a Terra de Israel, ainda em formação, para auxiliar na construção do Estado.

O Hebraikeinu propõe ser um espaço comunitário para jovens judeus
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Com o passar do tempo, as ideais foram evoluindo e se adaptando ao tempo presente. Os centros educacionais se espalharam pelo mundo, aumentando sua quantidade de forma significativa. Nos dias de hoje, cada um tem suas próprias especificidades, mas sem se desviar de uma base comum aos demais. Os princípios da ecologia, da interação entre a comunidade judaica local e o lugar onde vive e das atividades envolvendo a união entre corpo e mente para o aprendizado costumam aparecer em todos eles.

Ainda que voltados ao sionismo e na integração do jovem judeu e sua liderança dentro da comunidade local, os centros podem se diferir em relação ao viés político (ser de esquerda, centro, direita ou apartidário e pluralista), a sua ideia própria de sionismo e da ligação com a Terra de Israel e aos seus valores judaicos.

As escolas podem trazer diferentes pontos de vista políticos sobre a questão de Israel e dos judeus no mundo
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Normalmente, esses movimentos costumam ser divididos em três grupos: chanichim, madrich e hanagá. Os primeiros seriam as crianças que participam das atividades e absorvem os ensinamentos. O madrich, por sua vez, é aquele que pensa e produz as atividades, além de ter sido chanich anteriormente e chegado a sua posição após o ciclo. Por fim, a hanagá, considerada a parte coordenadora, está alinhada de forma horizontal com o madrich dentro do movimento. Essa é a forma de divisão do Hebraikeinu, por exemplo.

Renato Hodja, de 19 anos, é um dos madrich do Hebraikeinu e define o espaço como “uma forma de mudança, algo que me move a criar e fazer mais do que falar”. Além disso, o grupo é uma fonte muito importante para formar laços de amizades duradouros entre os jovens. “É a minha segunda casa, onde eu me sinto à vontade e tenho um lugar no qual tenho amigos que levarei para minha vida”, disse Marcelo Rappaportluca, madrich de 17 anos.

O centro concentra suas principais funções no Clube Hebraica de São Paulo, com atividades para crianças de dois a 17 anos
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O Hebraikeinu é mais do que uma simples atividade de recreação aos sábados. É um movimento dedicado aos jovens judeus. “O Hebraikeinu está presente a todo o momento. Em cada aula da faculdade em que aprendo algo e relaciono com o que vivo no grupo, em cada projeto que faço no trabalho e penso na aplicação dele no movimento e em cada inspiração que tenho no meu cotidiano e trago para cá”, conta Hodja.

O centro juvenil Hebraikeinu concentra suas principais funções no Clube Hebraica de São Paulo, com atividades para crianças de dois a 17 anos. Mais de 200 chanichim integram os encontros, separados em grupos por idade. As crianças são supervisionadas por aproximadamente 45 madrichim e seis membros da hanagá. As ações no dia são em tempo integral, ou seja, começam pela manhã e se estendem até o fim da tarde. Para mais informações, os interessados podem contatar o movimento por algum dos canais de contato do grupo (site, redes sociais ou telefone).