Espaço de política e articulação - Revista Esquinas
REVISTA DIGITAL LABORATÓRIO
DA FACULDADE CÁSPER LIBERO

Espaço de política e articulação

Por Pedro Garcia : setembro 19, 2018

A história e o presente voltam a ser pauta em evento do Centro Acadêmico da Cásper Líbero

A semana de eventos do CAVH começou com uma conversa sobre o simbolismo do jornalista Vladimir Herzog
Pedro Piai

Para comemorar os 40 anos, o Centro Acadêmico Vladimir Herzog (CAVH) iniciou, na última segunda-feira (17), uma semana de comemoração. Durante cinco dias, ocorrerão debates políticos que envolvem o papel da mídia e o movimento estudantil. O evento de abertura aconteceu no Teatro Cásper Líbero, com o nome de 40 anos de memória viva – O simbolismo de Vladimir Herzog. Estiveram presentes Clarice Herzog e Ivo Herzog, viúva e filho do jornalista assassinado durante a ditadura militar, os jornalistas Sérgio Gomes e Rivaldo Novaes, a militante e psicóloga Rachel Moreno e o produtor audiovisual Tiago Marconi.

Rivaldo Novaes participou da fundação do CAVH em 1978, em pleno regime militar. Em sua fala, relembrou a importância de nomear o centro acadêmico de uma faculdade de Comunicação em memória a Herzog. Também pontuou a relevância da articulação de movimentos estudantis.

Sérgio Gomes lembrou como foi trabalhar com o Vlado, como Herzog era chamado, e trouxe à discussão a sindicalização do jornalismo. Isso se deu com um documento assinado por jornalistas no período da ditadura, pedindo a investigação sobre a morte de Herzog.

A ativista e psicóloga Rachel Moreno fez uma retrospectiva histórica dos movimentos estudantis, sociais e feministas brasileiros. Falou como as articulações foram importantes para seus contextos e que, ainda hoje, são necessárias. Tiago Marconi, durante a mesa do CAVH, apresentou o aplicativo de geolocalização que ele desenvolveu: o #SP64 é um “rastreador” de acontecimentos relevantes à ditadura militar no mapa da cidade de São Paulo.

Clarice e Ivo Herzog pautaram suas falas na memória de Vlado. Eles relembraram a atuação do jornalista dentro da profissão, altamente combativa em relação ao regime dos militares. Também frisaram o valor do fazer político atual para que tempos como o ditatorial não voltem a ocorrer no Brasil novamente. “Ditadura nunca mais”, exclamou Clarice Herzog logo no início do evento, evocando aplausos dos presentes.