Atletas universitários nos Estados Unidos: como ficam as bolsas de estudo e a rotina de treinos durante a pandemia - Revista Esquinas

Atletas universitários nos Estados Unidos: como ficam as bolsas de estudo e a rotina de treinos durante a pandemia

Por Rodrigo Matuck : maio 6, 2020

Esportistas brasileiros de universidades estadunidenses têm preparação e competições interrompidas pela covid-19

Os Estados Unidos é um dos países mais almejados por estudantes que sonham em conciliar esportes e estudos. Com sistemas de bolsas para atletas, as faculdades estadunidenses cativam milhares de alunos estrangeiros por ano. E muitos deles partem justamente do Brasil. Mas o país vem enfrentando uma situação difícil. Os EUA tem hoje o maior número de casos confirmados do novo coronavírus e mortes pela doença, um total de 1.240.578 e 72.495, respectivamente, até a publicação desta reportagem.

Assim, muitas universidades, além de terem que se adaptar ao ensino a distância, estão sendo obrigadas a reformular o sistema de preparação de seus jogadores, já que treinar presencialmente é inviável neste momento. Já os atletas, que continuam a receber as bolsas de estudo, buscam se ajustar à nova rotina para não terem perdido o ritmo quando tudo passar.

Aos 22 anos, André Kaloussieh está em seu último ano na Tennessee Wesleyan Univesity, localizada em Atenas, Tennessee. Atleta de tênis, o paulistano tinha tudo para viver seu ano dos sonhos. Além de estar se formando em Administração de Empresas, essa também era a temporada da sua modalidade esportiva. “Cada esporte tem seu semestre e esse era o do tênis. Então, estávamos tendo vários jogos contra outras faculdades e no final do semestre teria um torneio com todas juntas. A campeã iria para o nacional, que seria em maio e reúne os campeões de todas as conferências”, explica.

André Kaloussieh deixou os treinos de tênis e voltou à São Paulo para ficar com a família durante a pandemia
Acervo Pessoal

A NAIA — umas das maiores ligas de esportes universitários — cancelou todas as partidas até o final do semestre e, devido à instabilidade geral, André preferiu voltar para São Paulo para ficar com a sua família, apesar de muitos amigos terem optado por ficar no Tennessee. “O campus da faculdade continua aberto, assim como os dormitórios e o refeitório, mas decidi voltar para o Brasil. Como as aulas vão seguir online até o final do semestre, eu preferi voltar para minha casa, aqui me sinto mais seguro”, conta.

Sem saber ao certo quando poderá voltar a jogar tênis, já que os clubes e academias estão fora de atividade, o pedido de seu treinador é para que ele não deixe de se exercitar, mesmo estando em casa, apesar de não haver a mesma cobrança que tinha presencialmente.

Já para Tomás Piza, de 20 anos, o ritmo de treinamentos continua intenso. O atleta de natação da University of Cincinnati, em Ohio, recebe treinos diariamente e toda semana entra em contato com os treinadores. “O time masculino tem uma ligação toda quinta-feira em que discutimos os planos e falamos como estamos. Os médicos e fisioterapeutas também tem um dia em que ligam e perguntam, individualmente, como estamos. Assim como os nutricionistas, que passam dicas para comida”, detalha.

Com o desejo de voltar às piscinas, a expectativa do jovem paulistano é de que a pandemia passe logo, já que em breve é verão no hemisfério norte, tempo ideal para a prática de seu esporte. Por isso, a sua escolha foi de permanecer com seus colegas em solo estadunidense. “Fiquei porque daqui a pouco é verão e os treinos já devem estar voltando. Tenho amigos aqui e estamos esperando tudo isso acabar. Estou morando em uma casa bem perto do campus”, explica.

Essa também foi a opção do italiano Marco Di Natale, de 20 anos. Ele preferiu se hospedar na casa de seu amigo, em Annapolis, do que vir ao Brasil, onde seus pais moram, ou ir para a Itália, onde o resto de sua família vive. O que mais pesou para decidir ficar foi um emprego de verão que vai realizar na área de marketing da Chantecaille Beaute Inc., uma empresa de cosméticos de Nova Iorque.

Marco, assim como Tomás, permaneceu nos EUA e os treinos de futebol têm sido feitos em casa
Acervo Pessoal

Marco cursa Negócios Internacionais e Gerenciamento na Dickinson College, em Carlisle, na Pensilvânia. Ele revelou estar aliviado por ter sua bolsa de estudos de atleta mantida mesmo com as aulas a distância. “Eles [faculdade] foram bem legais com os alunos. Até estranhei porque normalmente eles pensam muito em lucro. Mas assim que decidiram implementar as aulas online, já disseram que as bolsas estavas mantidas e que os demais alunos iriam receber um reembolso de seis mil dólares”, diz.

O jogador de futebol de campo, que está acostumado com o forte ritmo de treinamentos, tenta se adaptar às novas metodologias implementadas pelo time. “Os capitães montam treinos e passam para nós por meio de um aplicativo. Cada um faz em sua casa e envia os resultados obtidos para os treinadores. Além disso, a gente também pode fazer os nossos próprios exercícios. Escolhemos o que queremos aperfeiçoar no dia”, finaliza Marco.

Encontrou um erro? Avise-nos: [email protected]