“Oh, tricolor! Clube bem amado, as tuas glórias ‘só’ do passado”. O São Paulo do passado não gosta do presente que vive em crise há mais de uma década
Campeão do mundo pelo São Paulo, o ex-jogador Souza avalia que os problemas do clube começam desde os bastidores políticos: “Tem que mudar a gestão e mudar o foco, parar de pensar em política. Fui ao CT e vi muitos falando da estrutura ultrapassada”. O comentarista da Band completa que bodes expiatórios são criados para justificar derrotas e com o setor de futebol focado demais em políticas internas.
Nos últimos anos, os dirigentes do São Paulo apostaram em ídolos para controlarem a dinâmica do clube. Raí e Ricardo Rocha, campeões pelo Tricolor, são dois nomes que passaram pela diretoria. Rogério Ceni recentemente era o treinador e Muricy Ramalho, que ainda está no clube, possui o cargo de coordenador de futebol.
“O Rogério Ceni tem um nome muito bom dentro do clube e colocaram ele para tomar conta de tudo, porque é muito mais fácil. Um treinador não pode ter essa responsabilidade”, diz Denis Borges, ex-jogador do Juventude e hoje sócio do São Paulo. O futebol atual é muito mais profissional, onde pessoas com trabalhos especializados estão focados na obtenção da performance máxima, algo impossível com uma concentração de atribuições. Souza completa: “O problema do futebol são as pessoas amadoras que o controlam. Tem muita gente antiga, que não pensa em renovação”.
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CRISE POLÍTICA
O São Paulo começou a viver em crise após a conquista do brasileiro de 2008. Juvenal Juvêncio, então presidente do Tricolor, alterou o estatuto do clube para ocupar o cargo pelo terceiro mandato consecutivo, que durou entre 2011 e 2014. Em sua última gestão, Juvêncio investiu muito acima da capacidade financeira do clube, deixando dívidas para seu sucessor, Carlos Miguel Aidar.
Aidar, entretanto, não foi capaz de solucionar a crise no Morumbi. O ex-presidente foi acusado de corrupção e lavagem de dinheiro em acordo milionário com a Under Armour, ex-fornecedora de materiais esportivos do clube. Segundo o Portal R7, Cinira Maturana, namorada de Aidar, teria recebido cerca de 6 milhões de reais com o contrato. Carlos Miguel foi deposto do cargo após ser denunciado por desviar dinheiro do clube, dando lugar a Carlos Augusto de Barros, conhecido como Leco.
Leco presidiu o São Paulo entre 2015 e 2020. Assumiu de forma interina em outubro de 2015 e, mais tarde, seria oficialmente eleito para ocupar o cargo mais alto do clube, nessa época a dívida beirava os 280 milhões de reais. O ex-presidente contratou mais de 60 atletas e aumentou a dívida, cerca de 320 milhões de reais, para seu sucessor, Júlio Casares, que atualmente dirige a instituição.
Além disso, o ex-dirigente acumulou diversos fracassos e vexames que ficaram marcados como uma mancha na história do São Paulo. Eliminações precoces para times de baixa expressão e lutas contra o rebaixamento se tornaram frequentes para o clube.
VOLATILIDADE DE TREINADORES
Desde o início da gestão de Júlio Casares, o São Paulo já contou com cinco treinadores diferentes. Fernando Diniz, Marcos Vizolli, Hernán Crespo, Rogério Ceni e Dorival Júnior foram os comandantes da equipe nos últimos três anos. Borges comenta como a frequente troca de treinador pode atrapalhar o desempenho de uma equipe.
O ex-atleta pontua que os jogadores passam a enfrentar dificuldades na adaptação, já que cada comandante possui uma filosofia diferente: “Não é o caminho certo, mas justamente o olhar pelo resultado, que as pessoas deixam de ver o sentido do trabalho, a melhoria dos atletas entre outras coisas. É mais fácil mandar uma pessoa embora [treinador], do que mandar oito ou nove jogadores”. Mesmo com um elenco de 35 jogadores, o São Paulo continua sem bons resultados nos últimos anos. “Hoje, quem está envolvido dentro do clube, faz contratações apenas para mostrar que está contratando, mesmo não tendo a necessidade de ter o atleta”, completa o jogador.