A reeleição do hindu-nacionalismo na Índia - Revista Esquinas
REVISTA DIGITAL LABORATÓRIO
DA FACULDADE CÁSPER LIBERO

A reeleição do hindu-nacionalismo na Índia

Por Fernanda Almeida : maio 25, 2019

O País de mais de um bilhão de habitantes e 900 milhões de eleitores realiza suas votações gerais em sete etapas e com uso de quase quatro milhões de urnas eletrônicas

Ontem (23) foram divulgados os resultados das eleições da segunda democracia mais populosa do mundo: a Índia. As votações tiveram início em 11 de abril, quando ocorreu a primeira de sete etapas. Depois disso, as urnas com os resultados foram guardadas em uma sala forte, policiada 24 horas por dia. Só foram abertas para a contagem de votos depois da última fase, que ocorreu em há cinco dias. O resultado já era o esperado pela população indiana: a vitória veio para o atual primeiro-ministro, Narendra Modi, do Bharatiya Janata (BJP).

Para as votações, pessoas divididas por regiões votam em deputados, que, formando a maioria, detêm o controle do parlamento e escolhem o primeiro-ministro. Em 2014, o BJP – de cunho hindu-nacionalista – conseguiu alcançar sozinho a maioria e não precisou formar uma coalizão para governar. Este ano, as expectativas giravam em torno da manutenção ou não do mandato Modi. A oposição é liderada pelo Partido do Congresso, mais à esquerda. O resultado estava indicado nas bocas de urna.

A eleição indiana contou com sete fases e votos em urnas eletrônicas
Biju Boro

As eleições indianas possuem algumas peculiaridades em relação às brasileiras, como a divisão em sete etapas. Além disso, quando votam, os cidadãos são marcados com tinta no dedo da mão. A divisão da sociedade em castas tem influências também. Muitos indianos votam em partidos políticos específicos – no total, são mais de 45 –, que representam sua casta, independente de quem estiver concorrendo pelo partido.

Durante as campanhas eleitorais, houve disseminação de fake news nas redes sociais, como Facebook e WhatsApp, envolvendo políticos e religião. Conflitos religiosos são frequentes no País devido a uma população fragmentada: 80% é hindu e 14%, islâmica. Modi também distribuiu smartphones que vinham com o aplicativo Narendra Modi pré-instalado. O app pedia várias informações do usuário e garantiu um banco de dados sobre o eleitorado, o que ajudou a direcionar sua mensagem política.

A onda conservadora que atinge a Índia de Modi e outras partes do mundo é percebida também nos Estados Unidos e no Brasil, com os governos de Donald Trump e Jair Bolsonaro. Os três presidentes têm em comum o uso das redes sociais para se comunicarem com seus apoiadores, acusam a imprensa tradicional de disseminar notícias falsas e estão ligados à religião, cada um à sua.

Narendra Modi é nacionalista hindu, e seu partido é considerado um ramo da organização patriótica Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), que promove os ideais de defesa à cultura indiana e à identidade hindu. A principal crença do RSS é de que a Índia é uma terra santa hindu, o que revela a forma como tratam minorias religiosas no país. Não hindus são considerados por eles intrusos. Deve-se esperar agora que Modi continue governando com esses princípios, utilizando as redes sociais para se aproximar de seus eleitores. O presidente reeleito deve buscar formas de criar empregos e de ajudar os agricultores indianos. “Juntos nós crescemos. Juntos nós prosperamos. Juntos vamos construir uma Índia forte e inclusiva. A Índia vence mais uma vez”, celebra a vitória nas redes.