As minas contra o "coiso" - Revista Esquinas
REVISTA DIGITAL LABORATÓRIO
DA FACULDADE CÁSPER LIBERO

As minas contra o “coiso”

Por Rafaela Bonilla : outubro 2, 2018

Após tomar as redes, movimento que começou liderado pelas mulheres ocupa as ruas do Brasil para protestar contra a candidatura de Jair Bolsonaro

Sob a bandeira da campanha virtual #Elenão, no sábado (29), ruas dos 26 estados da Federação e de cidades no exterior foram ocupadas por manifestantes. Em São Paulo, segundo cálculo da BBC, 100 mil pessoas estiveram no Largo da Batata, zona oeste da capital paulista, para protestar contra o candidato a presidência do candidato do PSL, Jair Bolsonaro. O ato paulistano teve início às 15h seguiu forte até seu final na Avenida Paulista, que terminou somente no período da noite, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio.

Por todo o Brasil, haviam bandeiras e adesivos de diferentes movimentos sociais, candidatos presidenciais e partidos, como o PSOL, PT, PDT, PC do B, PSTU e alguns da Rede e PSDB. O PSOL esteve em força no ato, com seus adesivos contra Bolsonaro e em apoio a vereadora Sâmia Bomfim, outros blocos em peso foram o do Partido dos Trabalhadores, a União da Juventude Comunista (UJC) e a União da Juventude Socialista (UJS).

Os eventos convocatórios para os atos surgiram após apoiadores do PSL invadirem o grupo do Facebook Mulheres contra Bolsonaro, que continha mais de dois milhões de membros, no dia 16 de setembro. Ele havia sido criado por mulheres, com o intuito de debaterem as eleições e para fazer oposição ao candidato do PSL. Os hackers trocaram o nome do grupo para Mulheres com Bolsonaro #17 e as administradoras foram excluídas. Entretanto, no mesmo dia houve uma alta de menções à hashtag #Elenão, contabilizando em média 8 mil tuítes por hora, segundo pesquisa da Fundação Getúlio vargas (FGV).

Nas ruas

A batida dos tambores se uniu com as vozes de manifestantes que cantavam músicas repudiando as atitudes de Bolsonaro, como “Quer desafiar não tô entendendo. Mexeu com a mulherada você vai sair perdendo”. Mesmo que a principal reinvindicação tenha sido a partir das mulheres, não foram apenas estas que se juntaram aos atos. Crianças, idosos, estudantes e professores estavam em número e mesmo com rumores e receios de ocorrer alguma violência e desentendimentos com apoiadores de Jair Bolsonaro, muita gente se sentiu motivada a levar seus filhos para protestar.

Grávida de nove meses, Carolina Caine, decidiu se juntar ao ato do Largo da Batata e tem preocupações com o futuro que dará ao seu bebê. “Espero um lugar melhor para minha filha sem machismo e preconceito”, com o nascimento esperado para o mês de outubro a gestante completa, “quero ensinar a ela a amar o próximo, independente da orientação sexual, sem um presidente machista, fascista e horroroso no poder”.

No protesto, a diversidade de opiniões e ideologias estava presente. “Eu ainda não tenho candidato, mas sei em quem não vou votar, e por isso estamos aqui”, comenta Denise Coelho, que se juntou com um grupo de mulheres lésbicas para carregar uma bandeira LGBT. De grupos cristãos de mulheres a torcida corinthiana, todos se uniram para uma causa. “Estou aqui pelos irmãos pretos. A população negra sairá mais prejudicada. Bolsonaro é a figura do patriarcado contemporâneo”, é o que afirma Paulo Ramos, que se identifica como negro e gay.

No primeiro dia de alta do Hospital Albert Einstein, depois de ter recebido uma facada e ter passado por uma cirurgia de emergência, Jair Bolsonaro em entrevista ao Globo comenta sobre as manifestações do mesmo dia. “Só vi um certo vulto no Rio de Janeiro e em São Paulo. No resto do Brasil foi um desastre. São apenas minorias contra mim, não existe isso de rejeição de eleitorado feminino ao meu nome”, afirmou minimizando os protestos relacionados a hashtag #Elenão.

Segundo dados levantados pela BBC News, nunca houve uma diferença tão grande no voto de homens e mulheres. Ao se tratar do Jair Bolsonaro, a rejeição das mulheres é maior. Em pesquisa do Instituto Datafolha, 52% das mulheres dizem que não votarão no Bolsonaro. Entre os homens, o percentual é de 38%.

O movimento recebeu apoio de artistas brasileiros e internacionais, como Madonna, Cher e Dua Lipa. Em São Paulo, as cantoras Tulipa Ruiz, Luedji Luana, e Anelis Assumpção se apresentaram durante o ato do Largo da Batata. O grupo Ilú Obá de Min, Bateria do Baixo Augusta e Siga Bem Caminhoneira também estiveram presentes durante o ato de São Paulo capital.