Profissão: blogueira de viagem - Revista Esquinas

Profissão: blogueira de viagem

Por Laís Soares Campos, Nicole Hais e Pietra Palma : janeiro 14, 2019

A jornalista e influenciadora de turismo Anna Laura Wolff explica como conquistou milhares de seguidores nas redes sociais

Anna Laura Wolff é influenciadora digital e fundadora do site Carpe Mundi
Reprodução / Instagram

Anna Laura Wolff já visitou mais países do que o valor da sua idade: aos 26 anos, viajou para 32 países e pode se considerada uma pessoa com “o emprego dos sonhos”. Formada em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, fundou em 2015 o blog de viagem Carpe Mundi e concilia sua profissão com o dom de fotografar para produzir conteúdo tanto no site quanto no Instagram – sua conta possui mais de 425 mil seguidores.

Com sua determinação, disciplina e persistência, a blogueira fez das viagens seu principal objetivo profissional e, por isso, tem se destacado nas redes. O diferencial se deve ao feed extremamente organizado, com um mesmo estilo de edição, compondo uma harmonia no layout da página, além de focar suas postagens especificamente no nicho escolhido: destinos tropicais – não à toa, na descrição do seu perfil, escreve “feeling tropical vibes”.

Recentemente, esteve nas Ilhas Maldivas, no Oceano índico, acompanhada de seu namorado. Hospedaram-se em um resort cinco estrelas, com uma diária de 12 mil dólares. Tudo sem gastar um centavo. Trabalhos como esse são fruto das parcerias com empresas que se identificam com seu trabalho para divulgar marcas e, ao mesmo tempo, proporcionar experiências únicas. Mesmo assim, Wolff comenta as dificuldades que a profissão “blogueira de viagem” traz, até porque nem tudo é só regalia. Noites mal dormidas, cansaço e correria são alguns dos contras de seu trabalho “dos sonhos”.

A jornalista e influenciadora conversou com ESQUINAS por videoconferência e falou sobre a carreira, conteúdos e conquistas de forma descontraída. Com sua experiência como profissional da área, afirma que “todo mundo pode viajar, é só fazer disso uma prioridade”.

ESQUINAS Qual foi o clique que fez você perceber que queria trabalhar com viagem?

Na verdade, meu sonho era ser correspondente internacional. Morar em Nova York ou Paris, por exemplo. Fui fazer um intercâmbio na capital francesa e voltei de lá procurando estágio. Um dia, folheando revista na banca, falei “Vou mandar meu currículo para esta revista de viagem e ver o que acontece”. Fui contratada pela Viagem e Turismo. Gostei de lá e vi que podia ter contato com outras culturas e outros países sem necessariamente ter que morar fora, apenas viajando para muito mais lugares. 

ESQUINAS E qual foi o ponto de partida do Carpe Mundi: o blog ou o Instagram?

Comecei os dois juntos, na verdade. Já cuidava da conta da revista, então tinha contato com essa plataforma. Criei um perfil profissional, pois já tinha uma conta pessoal, junto com o blog.

ESQUINAS Você postou recentemente algo sobre selecionar os seus destinos com base no seu feed, que ganha destaque por ser bem organizado. Isso acontece mesmo?

“É bonito seu feed, é legal, todo mundo gosta”, como dizem, mas precisa dessa visão de negócio por trás dele, né? Tem que ser alguma coisa que funcione também financeiramente falando, que eu possa trabalhar com marcas, que tenha a ver com aquilo. A partir do momento que você quer cobrir tudo – viagem com criança, para uma praia do Caribe, para a neve, tudo junto –, fica uma bagunça e você perde um pouco da sua personalidade, sabe? Tentando focar mais em praias, essas coisas tropicais, consigo ter um nicho. Então, sim, é importante decidir minhas viagens de acordo com o que vai ficar bom para o feed e para essa vibe toda que tento criar.

ESQUINAS Isso modificou sua concepção de “viajar”?

Sim, com certeza. Para mim, viagem é sinônimo de trabalho hoje em dia. Claro que tem momentos que consigo parar, descansar, curtir um pouco o lugar. Mas não é como férias, que você vai para esvaziar a cabeça, ler um livro, ficar “de boa”. Toda hora estou tirando uma foto e fazendo um post e editando uma fotografia e fazendo Stories e não para. Fico muito estressada nas viagens inclusive.

ESQUINAS Inclusive, você foi para Paris recentemente e postou que acordava de madrugada para tirar as melhores fotos.

Exato, até fiquei doente. Foi uma viagem assim muito intensa para mim.

ESQUINAS Isso seria um contra dessa vida mais pública.

É, seria. Mas é aquilo: todo trabalho vai ter seus prós e seus contras. Tem esses contras, mas eu também tenho o pró de poder estar em vários lugares incríveis do mundo. E por aí vai. Ganho dinheiro com isso e faço meu horário, minha independência. Quando volto para casa, posso pegar uns dias para descansar e relaxar.

ESQUINAS Suas viagens são quase todas feitas por meio de parcerias, como aconteceu nas Ilhas Maldivas recentemente?

A maioria das coisas é por colaboração com os hotéis. Além de divulgar eles no Instagram, isso é uma coisa que funciona. Mas não seria suficiente. Tem muito influencer hoje em dia que tem lá o seu perfil de viagem no Insta e jamais conseguiria isso. É porque também tenho o blog que é uma plataforma mais consolidada, já está aí há um tempo. É um dos blogs mais fortes assim do Brasil. Também escrevo para outros veículos de viagem, revista, jornal, por aí vai. Com tudo isso, consigo ter essas regalias, eu diria. Todo mundo pode viajar, é só fazer disso uma prioridade que você consegue.

ESQUINAS E sobre a fotografia? Você tem um carinho – e um talento – para isso.

Acho que foi um dom. Antes da faculdade, eu já tinha câmera, já fotografava. Mas tive que estudar fotografia de Instagram assim. Estudar sozinha mesmo, vendo outros perfis. Eu queria entender porque aquelas contas eram tão legais, tinham tantos seguidores, e a minha não era aquilo ainda.

ESQUINAS Talvez a conta no Instagram te aproxime do leitor do Carpe Mundi, certo?

É um novo nicho. Nem tinha ideia que poderia virar isso, foi meio natural. Fui compartilhando minhas fotos e editando, deixando elas harmônicas e isso foi pegando. Virou uma coisa totalmente à parte do blog. Meu público do blog com o Instagram se relaciona muito pouco. Fiz uma enquete em que perguntei quantos dos meus seguidores conheciam o Carpe, e só metade deles responderam “sim”. São públicos diferentes. O grande “X” da questão seria unir os dois públicos.

ESQUINAS Apesar disso tudo, você tem uma vida mais pública por conta das fotos e postagens. Você recebe críticas por mostrar apenas coisas boas?

É uma parte da minha vida. Ninguém conhece minha vida, só aquilo que eu quero mostrar. Já recebi muitas críticas do tipo “Você não trabalha, só viaja e blá-blá-blá”, mas nem ligo. Passei por umas situações chatas também, em que as pessoas me julgaram sem nem saber a história por trás da foto. É difícil essa escolha de você se expor, porque as pessoas criticam muito.

ESQUINAS Por fim, qual é a dica para se dar bem no seu ramo?

É ter persistência, foco e determinação. Acho que estou dando certo por correr muito atrás disso. No início, eu ficava cinco horas por dia curtindo e comentando fotos de outros perfis de viagem. Até hoje faço coisas assim para ter mais engajamento, mais seguidores. Você só precisa de muita determinação.