“Um dia todos serão influenciadores” - Revista Esquinas
REVISTA DIGITAL LABORATÓRIO
DA FACULDADE CÁSPER LIBERO

“Um dia todos serão influenciadores”

Por Fernanda Iyeyasu, Heloísa Youssef e Joyce Cardoso : fevereiro 1, 2019

A trajetória de Monyse Garcia na internet remete suas apostas para o futuro da internet

A youtuber e empresária de 23 anos Monyse Garcia começou gravando clipes parodiando cantores famosos, como a “princesa do pop” Britney Spears. Por gostar de produzir vídeos, decidiu cursas uma carreira que englobasse criação de conteúdo, optando pela Publicidade. Durante a graduação, a youtuber funda ao lado da irmã sua primeira empresa, a Sisters Store, uma loja de roupa online. Seu lado empreendedor ganhou mais força e o segundo passo de sua trilha profissional foi a criação da Zappiens, empresa de assessoria para influenciadores.

O canal no YouTube é apenas um hobby: a renda principal vem de suas empresas, apesar de ainda ser ativa em suas redes sociais e realizar parcerias com marcas. O canal, que carrega seu nome, tem mais de 180 mil inscritos, abordando temas como estilo de vida, viagens e relacionamentos a distância, compartilhando sua experiência com seu atual namorado turco, Ibrahim.

Ela conta que, desde quando a instagramer Thaynara OG ensinou a usar os Stories, a função viralizou entre os usuários, tornando todos microinfluenciadores. “Um dia todos serão influenciadores”, afirma. Com a ferramenta em mãos, qualquer um pode editar e selecionar suas próprias vidas, criando personagens. Garcia ainda aposta no IGTV, que pode diminuir a audiência do YouTube, segundo ela. “Se você quiser postar um vídeo, não precisar criar um canal, basta postar no Instagram”.

ESQUINAS Antes de mais nada, por que você decidiu ser influenciadora?

Eu gostava de gravar e editar vídeo. Fazia de música, parodiando, e no final eu falei: “Ah, acho que vou fazer vídeo da minha vida”. Antes pegava Britney Spears e fazia meu clipe. Gravava no meu condomínio, tinha uma webcam no computador. Colocava-a numa árvore e dançava. Tem até no canal, para os vídeos antigos, e é muito engraçado. No começo, eu tinha muita vergonha porque eu ia postar e as pessoas da escola iam ver. Aí eu falei [para a irmã]: “Steph, vamos começar, te ajudo a gravar”.

ESQUINAS Passados alguns anos e chegamos onde estamos hoje. Você tem a Zappiens, a Sisters Store e o canal. Como você arruma tudo, se organiza?

É bem diferente, né?. Antes eu fazia faculdade, agora eu estou trabalhando muito. De final de semana eu trabalho no YouTube. De dia de semana, na empresa e na loja, que minha mãe cuida. A princípio, eu fazia mais vídeos de rotina, que estão na moda e trazem bastante views. Depois percebi que você tem que fazer vídeos direcionados ao seu público.

ESQUINAS E como você caracteriza o seu público?

Ele tem entre 18 e 24 anos, na sua maioria. Todos são meus amigos, sempre chamo todo mundo no direct [do Instagram].

ESQUINAS A gente sabe que você tem um relacionamento com um turco. Como é ter um relacionamento exposto? Deve receber muitas críticas…

Isso é verdade. Eu gosto muito de postar, mas recebo muita crítica. Em julho de 2018, foi tipo 20% hate. Mas aí eu entendo que é diferente. Eu gosto de expor, não me importo. Começou meio leve e ficou pesado. Já fiquei com bastante raiva, mas agora eu só estou “ok, hate”.

ESQUINAS Apesar disso tudo, você acredita que o canal é uma espécie hobby, não encara o YouTube como trabalho?

Agora encaro, mas ele não é tão comercial. Lifestyle é a pior coisa: se você quiser abrir um canal, não abra sobre lifestyle. Meu canal se aplica a tudo e, ao mesmo tempo que não tem um foco, qualquer coisa serve. Isso não é muito comercial.

ESQUINAS Então, como você pretende expandir, crescer? Quer continuar sempre com o canal?

Acho que eu não quero focar muito nele agora, e sim na minha empresa. Não quero ser a maior influenciadora do Brasil, não é meu sonho. Só quero continuar postando meus vídeos como um hobby, não pretendo levar isso como uma grande carreira, não. Quero ser uma empresária.

ESQUINAS E como foi fundar uma empresa, a Zappiens e a Sisters Store?

A primeira empresa que eu fundei foi a lojinha. Foi um pouco difícil, tinha que mudar o CNPJ. Mas tive ajuda de outras pessoas. A gente testou. Depois veio a Zappiens, sem abri-la oficialmente. Testamos de novo e deu certo. Percebemos que sempre tem que testar antes de abrir. Se eu só chegasse, poderia dar prejuízo.

“Quero falar hoje, posto hoje e me respondem agora”, diz a youtuber Monyse Garcia
Reprodução/ Youtube

ESQUINAS E como você ganha dinheiro, se sustenta? Com o canal, a Zappiens, a loja?

Pelo canal, ganho pelo AdSense [serviço de publicidade oferecido pelo Google] e também por parceria. Por exemplo, a FAAP fechou um contrato comigo, vou gravar três vídeos e ganhar um valor por isso. Se um aplicativo quiser divulgar no canal, ganho com isso. A mesma coisa acontece com a Zappiens: temos uma rede de influenciadores digitais e, a gente fecha um contrato, ficamos com uma parte do dinheiro e o resto repassamos.

ESQUINAS Como acontece o contato com vocês na Zappiens? A pessoa vem até você e fala “quero participar da agência”, ou vocês vão lá e convidam?

Quase todas as vezes nós fomos atrás. Quem acaba mandando e-mail são pessoas que não estão muito estabelecidas ainda. Fizemos uma pirâmide de mercado: existe microinfluenciadores, influenciadores premium e celebridades. Não podemos aceitar pessoas pequenas e não queremos celebridades nas nossas mãos. E também tomamos cuidado para não colocar pessoas que compram seguidores, acompanhamos a pessoa, vemos se tem engajamento. Tem todo um cuidado.

ESQUINAS Entre as redes sociais, qual você acha que dá mais feedback? Qual você acha que tem futuro?

Estou apostando nos Stories, porque o Instagram está com tudo. Eu gosto muito das enquetes, por exemplo. Quando eu quero falar, sei lá, sobre o meu cabelo, não gravo um vídeo falando sobre ele. Vou gravar um Stories. Eu recebo um retorno muito imediato. Quero falar hoje, posto hoje e me respondem agora. É instantâneo. Agora vídeo… Quando gravo, demora uma semana para editar, outra semana para postar. É uma coisa mais longa, mas a internet é muito imediata, sabe? O IGTV ainda não pegou muito, mas é que nem quando surgiu o Snapchat: ninguém sabia usar, ensinaram essas pessoas e virou Stories. Virou isso e pegou muito. Acho que o IGTV ainda vai pegar, mas quando alguém descobrir como realmente usá-lo. As pessoas só pegam vídeo do YouTube e postam lá praticamente. Todo mundo vai poder ter um canal e um dia todos serão influenciadores.

ESQUINAS Afinal, como você se vê daqui cinco ou dez anos?

Não sei, a cada ano tanta coisa muda. Acho que estarei com meu canal e minha empresa ainda, um pouco maiores. O canal devo manter como hobby, mas talvez não consiga postar tanto como hoje. Claro, vou sempre tentar postar. Eu gosto disso.