Além da técnica - Revista Esquinas
REVISTA DIGITAL LABORATÓRIO
DA FACULDADE CÁSPER LIBERO

Além da técnica

Por Henrique Artuni : agosto 27, 2018

Na mesa “Animação colaborativa e produção de jogos” Gabriel Camelo fala sobre o mundo da animação e suas competências

Full frame, cut out, rotoscopia, stop motion, linguagem procedural, HTML, Javascript… As diferentes técnicas e seus nomes são importantes como bagagem para quem quer se aventurar profissionalmente pelo mercado de animação, programação e games, mas não é motivo para assustar os iniciantes. Mas não é somente da técnica que vive um profissional desta área. “Você tem que tentar transmitir as suas ideias com as habilidades que você tem para que seu trabalho seja único”, cravou Gabriel Camelo em resposta a uma estudante que questionava se era possível trabalhar com animação sem saber desenhar.

Oswaldo, da Birdo Studios, foi um desenhos mais assistidos do Cartoon Network em 2017
Reprodução

Camelo atualmente trabalha no Birdo Studios, estúdio responsável por desenhos animados como Oswaldo (Cartoon Network e TV Cultura) e Cupcake & Dino: General Services (Netflix e Disney XD), e lembra que ele mesmo não sabe desenhar. Na linha de produção das séries animadas, Camelo é responsável pelo setor de composição, no qual ele une o trabalho dos diferentes profissionais (desenhistas de cenário, de personagem e dos animadores) nas cenas que assistimos na TV. Se, por um lado, inevitavelmente, conhecimento técnico é obrigatório para quem quer seguir na área, o profissional lembra que o interesse pode ser mais importante que conhecimento.

Antes de trabalhar com animação, o designer passou por várias áreas, desde publicidade, produção de games, até roteiros de stand-up, e foi agregando referências. “Na hora de me apresentar, eu sempre penso que sou um cara ‘curioso sobre coisas'”, afirma Camelo. Para ele, foi importante conhecer a multiplicidade de técnicas, o que os profissionais de cada campo fazem e como um pode auxiliar o outro.

Na sua apresentação, Camelo trouxe exemplos de projetos colaborativos, como o Walk Cycle Gumdrop Collab, que reuniu o trabalho de programadores e designers para criar, a partir de um boneco-base, animações de vários personagens estilizados.

Destacou também games autorais, que pensam a mídia para além do entretenimento. Alguns desenvolvedores, como Pedro Paiva, La Molleindustria, Stephen Lavelle (conhecido no meio gamer por Stephen’s Sausage Roll) e Gonzalo Frasca estão entre seus favoritos por produzirem jogos críticos, que querem fazer o usuário pensar sobre política, a própria natureza dos games e sua relação com o mundo moderno.

O game September 12th coloca o jogador no papel de um soldado que mata terroristas com mísseis, mas que inevitavelmente também inocentes
Reprodução

September 12th, um news game de Frasca, desenvolvido em 2010, coloca o jogador na posição de um agente americano responsável por matar terroristas em uma cidade com mísseis, tentando não ferir os civis. A arma, porém, é imprecisa, e é inevitável matar inocentes. À medida que o jogo avança, mais e mais civis se transformam em terroristas e sua única escolha é continuar matando e destruindo a cidade. “As pessoas precisam pensar os games como um meio para transmitir ideias”, aponta Camelo.