Carnaval 2.0 - Revista Esquinas
REVISTA DIGITAL LABORATÓRIO
DA FACULDADE CÁSPER LIBERO

Carnaval 2.0

Por Isabella Juventino, Letícia Rocha e Susana Terao : maio 22, 2018

Trios elétricos voltam ao centro da cidade após o carnaval e animam a noite da Virada Cultural

Com uma concentração modesta de pessoas começou o primeiro show da Virada Cultural no sábado. Inaugurado esse ano, o novo formato, trio elétrico, contou com Baby do Brasil e suas convidadas Tulipa Ruiz e Pitty no cortejo “Agora é que são elas” e O Bloco Tarado Ni Você com Caetano Veloso. O frio da noite de sábado pareceu não abalar os eternos foliões.

Na noite de sábado, Baby do Brasil cantou ao lado de Tulipa Ruiz e Pitty
Vitor Correia

Por volta das seis da tarde, a apresentação da caricata Baby do Brasil arrastou o público do cruzamento da Rua Sergipe, descendo toda a Consolação até a Xavier de Toledo. A cantora levantou um coro de vozes em “Sem pecado e Sem Juízo” e “Menino do Rio”, conduzindo seu show entre hits autorais e covers, tais como a apresentação de “Stand By Me”, oferecida ao recente casal real britânico, cujo casamento ocorreu na manhã daquele dIa. Por trás do nome do trio, a mensagem: a força das mulheres na música, que foi exaltada durante todo o caminho.

Apresentada carinhosamente, a primeira convidada da noite foi Tulipa Ruiz – a qual Baby apelidou de Carmem Miranda dos anos 3000. Pitty, a última convidada da noite, fez o público pular e aqueceu o coração dos fãs que desceram as ruas seguindo o trio só para vê-la, como é o caso de Camila e Michele que estavam em sua primeira virada para assistir à apresentação da baiana, que não decepcionou, tendo seus a plenos pulmões pela plateia. Baby se juntou a Pitty para cantar dois sucessos dos Novos Baianos, “A menina dança” e “De um rolê” que foram antecedidas por um discurso sobre censura e ditadura, nos lembrando que “não podemos e nem devemos deixar que isso aconteça novamente”.

Em modelo inédito, Baby do Brasil abriu a Virada Cultural na Rua da Consolação em cima de um trio elétrico
Vitor Correia

A trajetória revelou um público tão diverso quanto os artistas da noite: adultos, idosos e adolescentes se dividiam em grupos de amigos e casais. “São as mesmas pessoas [do carnaval], mas se comportam diferente, melhor. Porque nesse caso, a música é mais importante do que as pessoas do local”, comentou Natalia.

No final do percurso do primeiro carro, questionamos a segurança do evento sobre o atraso na troca de apresentações. A falta de organização entre os presentes incomodou diversos fãs que não foram avisados que as outras atrações saíram de outro trio elétrico. Para o show de Caetano e do Bloco Tarado Ni Você era necessário subir a Rua da Consolação novamente e enfrentar o contra fluxo.

O atraso da atração principal incomodou ainda mais os foliões, pois Caetano foi quem levou a maioria dos fãs a saírem de casa em baixas temperatura na noite paulistana. “Alegria, Alegria” e “Tropicália” iniciaram a participação do baiano e não se via uma única pessoa que não cantava naquele momento. A Rua da Consolação ganhou como trilha sonora também as músicas “Luz de Tieta” e “Leãozinho”. O público parecia não conter sua felicidade e continuava o “empurra-empurra”. Porém, com “Sampa” foi possível observar a emocionante ode à cidade que recebeu a festa e tirou risadas, beijos, lágrimas e sorrisos sinceros do público que cantava forte a letra da música.

Apesar dos problemas que o modelo de trio elétrico trouxe em sua estreia, foi possível aproveitar o carnaval fora de época, mas dessa vez vestindo casacos e blusas quentes.

Caetano cantou n’O Bloco Tarado Ni Você de madrugada, lembrando o clima de Carnaval brasileiro
Vitor Correia