A não-Academia do Oscar - Revista Esquinas
REVISTA DIGITAL LABORATÓRIO
DA FACULDADE CÁSPER LIBERO

A não-Academia do Oscar

Por Henrique Artuni, Larissa Basilio, Pedro Garcia e Thiago Bio : fevereiro 23, 2019

Editores de Esquinas tuítam seus prazeres e mágoas com os filmes da maior premiação do cinema

Para comentar alguns dos eleitos pela Academia, os editores de ESQUINAS se reuniram e analisaram sem quaisquer academicismos, no limite de um tuíte (até 280 caracteres), suas impressões sobre os longa-metragens a que assistiram. Henrique Artuni, um cinéfilo ácido, Larissa Basilio, uma hater profissional, Pedro Garcia, um perdido nas salas de cinema, e Thiago Bio, um fã de blockbusters, dão seus comentários, ora mais ponderados, ora mais amargos – mas sempre francos. As opiniões são antecedidas por uma avaliação que vai de uma a cinco estrelas, do ruim ao excelente, e que quer pensar menos nas expectativas da premiação e mais no que cada um considera relevante entre os indicados.

Roma


Henrique Artuni (★★) Bem conservador na linguagem (a câmera distante, segura, que nivela todos os conflitos e no limite vira sadismo), mas no fundo têm algum impacto aquelas imagens da vastidão, da resistência, do mar, enfim, do coração materno.

Larissa Basilio (★★★) Esteticamente o filme abraça o telespectador como uma fotografia antiga, quase um enquadramento à la Cartier-Bresson. A narrativa não é apaixonante, mas interessante.

Thiago Bio (★★★) O filme traz um enredo interessante com boas atuações, mas que pode deixar o espectador cansado pela lentidão. No final, é possível derramar algumas lágrimas dependendo do seu estado emocional no dia.

Bohemian Rapsody


HA () Uma história mal contextualizada que não discute qualquer coisa, só encadeia fatos, além de um Malek que não sai de uma caricatura de Freddie Mercury. No fim, tem alguma música que presta.

TB  (★★★) A biografia de Freddie Mercury entretém para um bom filme de fim de tarde. As músicas dão uma sensação de nostalgia, apesar das cenas finais do show de Live Aid de 1985 quase intermináveis.

A Favorita

HA (★★) Como narrador, Yorgos Lanthimos é um ótimo noveleiro. Ficou faltando a Lília Cabral.

Pedro Garcia (★★★★) Entre dramas históricos e a histeria de relacionamentos e traições, a obra aborda temas complexos e pesados com humor peculiar e deboche.

TB (★★★★) Com figurinos e cenários de se admirar e totalmente debochado, a sátira da corte inglesa do século XVIII agrada com as personagens complexas – a louca, a estrategista e a ressentida – muito bem interpretadas por Olivia Colman, Rachel Weisz e Emma Stone.

Pantera Negra

HA (★★) Que inocência a minha de querer achar aqui algo além do que a estética norte-americana… Só um Exu para dar jeito.

PG (★★★) Um típico filme de super-heróis, mas em um momento que já não me animava mais com filmes da Marvel, Pantera Negra muda a perspectiva só pelo fato de não ser mais um longa sobre estadunidenses salvando o planeta, mesmo que tenha sido por yankees.

TB (★★★★) O mais blockbuster dos indicados a melhor filme, Pantera Negra anima pelas questões de representatividade e adiciona mais algumas pitadas de super-heroísmo ao Universo Marvel, mas não deve contentar cem por cento da Academia.

Infiltrado na Klan

HA (★★★) Um filme sobre ser estrangeiro. No fundo, é o próprio Spike Lee contando sua história sobre Hollywood. Um filme sobre o horror.

LB – (★★★★) Filme bonito demais para ser visto rapidamente. Humor, história e luta sem perder a mão. Spike Lee sendo Spike Lee.

Green Book: O Guia

TB (★★★★) A história contagia passando pelo extremo sul racista e segregacionista americano da década de 1960. As paisagens encantam e o par de atores foi bem selecionado – com exceção das acusações de racismo por parte de Viggo Mortensen.

Vice

TB (★★) Com técnicas de filmagem até que ousadas – como os créditos fora de lugar –, é um longa cansativo apesar das boas atuações. Nada mais que uma denúncia já sabida contra o governo americano durante o 11 de Setembro e, em seguida, a Guerra do Afeganistão.

Nasce Uma Estrela

TB () Lady Gaga já chamava atenção com a atuação em American Horror Story, e o filme confirmou sua versatilidade. O remake do clássico de 1937 emociona com as cenas do casal protagonista, o drama vivido pelos dois e suas músicas muito bem executadas.

Guerra Fria

HA () “Talvez seja mais bonito do outro lado”. Talvez para perder a guerra basta saber-se mortal.

Poderia Me Perdoar?

HA () Melissa McCarthy e Richard Grant fazem o filme correr solto. Genérico, inofensivo, mas com uma história instigante.

Fé Corrompida

HA () A coroa de espinhos que é viver no mundo material. Essa obra-prima, que nem foi lançada no cinema brasileiro, é um testamento sobre fé, o mundo pós-moderno e a descrença como patologia. Vale emendar esse com Vidro, já um dos grandes filmes de 2019.

A Balada de Buster Scruggs

HA () É sempre um risco fazer um filme de várias pequenas histórias… Mas nada que a economia narrativa e o cinismo dos irmãos Coen não consigam contornar com elegância.

TB () As pequenas histórias que compõem o filme divergem: umas cansam (bastante), outras cativam. Típico faroeste: ouro, bang bang, saloons e homens tentando se mostrar mais fortes que os outros.

Homem-Aranha no Aranhaverso

HA () Entre uma porrada de cores e outra porrada de porradas, eu lembrei que tinha um porquinho com a mão molhada.

Os Incríveis 2

HA () Nem metade da criatividade que se esperava pelo tempo que demorou. Prova de que não precisa ser Carros para entrar no piloto automático.

PG () Foi um bom comeback para a infância de muita gente, eu inclusive. É bom para se divertir e ter um bom tempo, mesmo com a falta de inovação no enredo.

TB () Apesar de não chegar aos pés do primeiro longa, é divertido, traz nostalgia e explora mais o restante da família além do Sr. Incrível – em especial a Mulher-Elástica. Para além da Academia, a versão dublada deve ser considerada.

Ilha dos Cachorros

HA () O limite do poker face do Wes Anderson. Muita “viagem” estética para pouca energia. E olha que eu vi O Grande Hotel Budapeste umas 15 vezes.

LB () Divertido, leve, colorido e estético. É uma experiência visual bacana, mas a narrativa poderia ser melhor desenvolvida.

Mirai

HA () Não é nível Ghibli, mas quando consegue ser sutil, é de uma beleza ímpar. Melhor animação entre as indicadas.

Assunto de Família

HA – () Quando o Kore-eda não estica o chiclete até ficar sem gosto, tem momentos de grande beleza, como a cena na praia. Um mundo para chamar de “nosso” é sempre mais aconchegante.

LB – () Fofinho, tristinho, bonitinho. Faltou um aumentativo.

O Retorno de Mary Poppins

TB – () Músicas agradáveis e figurino simpático, mas é a enrolação de uma família endividada com o banco e com três crianças sabe-tudo para cuidar.

Vingadores: Guerra Infinita

HA – () E ainda falam que o próximo vai ter umas três horas…

TB – () De fato, o que os fãs de Marvel esperavam para reunir seus heróis em um único longa. Inquietante e frenético.

Jogador Nº1

TB – () A história atrai os aficionados por cultura pop e geek. Difícil mesmo é encontrar o tanto de referências que o filme espalhou pelas cenas dentro do jogo Oasis. Os efeitos visuais envolvem o espectador.

Solo: Uma História Star Wars

HA – () Star Wars não precisa ser todo ano, né, gente?

LB – () Ver Solo doeu mais do que ver (spoiler) o Han Solo morrer.

TB – () Estética chamativa, cheio de reviravoltas e algumas atuações que valem a pena, como de Emilia Clarke, Donald Glover e Woody Harrelson.