Documentário reconta a história da AIDS no País - Revista Esquinas

Documentário reconta a história da AIDS no País

Por Júlia Pereira : setembro 26, 2019

“Carta Para Além dos Muros” estreia hoje e terá testagem rápida para HIV, sífilis e hepatite B nas salas do circuito Itaú Cinemas

A chegada do HIV é o ponto de partida do longa dirigido por André Canto. São 36 entrevistados, desde médicos, como Drauzio Varella, ativistas, soropositivos e ministros da Saúde. Assuntos como os primeiros casos de infecção no País, a cobertura midiática, o avanço da medicina e o preconceito que – infelizmente – permanece presente nos dias atuais são abordados no longa-metragem. “Esse é o ponto chave do filme: por que, apesar de tanto avanço, o estigma e a discriminação continuam tão presentes? ”, questiona André Canto.

Apesar do avanço da ciência e da pesquisa, o número de pessoas que contraem o vírus segue aumentando. De 2010 a 2018 houve um aumento de 21% no número de novas infecções por HIV no Brasil, de acordo com relatório Comunidades no Centro, do UNAIDS. O Estado também tem enfraquecido a política de combate à AIDS ao incluir no antigo Departamento de IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis), AIDS e Hepatites Virais tratamento de doenças crônicas como hanseníase e tuberculose.

A mídia brasileira, especialmente nos primeiros casos de AIDS no Brasil, ajudou a estigmatizar a doença
Reprodução/Canto Produções

Para Canto, o HIV e a AIDS devem ser vistos como problemas sociais, já que faltam políticas públicas e uma abordagem adequada para falar sobre o tema. “Quando a gente opta por não informar os nossos jovens por questões morais e não falar sobre educação sexual, estamos abrindo espaço para novas infecções, casos de AIDS e de morte”, diz Canto.

Mesmo que as ações do Estado sejam essenciais, a mídia tem um papel importante no combate à AIDS e educativa e é exatamente isso o que o Carta Para Além dos Muros promete cumprir. “A maioria do material midiático no País explora o sofrimento de uma forma muito sensacionalista. Eu tomei cuidado para que isso não acontecesse [no documentário]”, conta o diretor.

O longa-metragem mostra a cronologia de como o vírus e a doença eram retratados quando a abordagem ainda era repleta de preconceito e não havia medicações eficazes. Um dos exemplos que é mostrado no documentário é a capa do cantor Cazuza, soropositivo, em seus últimos meses de vida, na Veja de abril de 1989.

Além do Carta Para Além dos Muros buscar não estigmatizar os soropositivos, disponibilizará, em sua estréia, no dia 26 de setembro, uma equipe de saúde que fará gratuitamente testagem de sangue para HIV, sífilis e hepatite B ao público. A iniciativa foi pensada para ressaltar a importância do diagnóstico precoce. “A testagem tem que ser naturalizada. E quando eu coloco ela num cinema, durante todo o horário de abertura do cinema, eu espero estar ajudando a naturalizar isso”, explica Canto.