“Faz falta show na quebrada!” - Revista Esquinas
REVISTA DIGITAL LABORATÓRIO
DA FACULDADE CÁSPER LIBERO

“Faz falta show na quebrada!”

Por Bárbara Correa, Dayana Natale, Felipe Grutter e Laís Martins : maio 22, 2018

Virada Cultural na Arena Corinthians, localizada na Zona Leste.

Mesmo sendo palco da abertura da Copa do Mundo em 2014, a zona leste ainda é esquecida

O Palco Leste, localizado no conhecido Itaquerão, foi premiado com muito samba e pagode, com shows de grandes nomes da música como Leci Brandão, Pretinho da Serrinha, Dudu Nobre, Xande de Pilares, Eliana de Lima e Katinguelê.

Além de ser um ambiente descontraído e seguro, a maioria do público era composto por famílias. Independentemente da idade, as atrações garantiram um clima de harmonia e união.

O Palco Leste foi premiado com muito samba e pagode.
Felipe Grutter

No estádio que já recebeu grandes jogos não seria diferente. A Arena Corinthians, localizada na zona leste, tinha uma estrutura que atendia também deficientes físicos e auditivos, com rampas, audiodescrição e libras nas apresentações.

O grande destaque desta edição foi a descentralização do evento, porém para Luiz Costa, de 38 anos, o incentivo à cultura na região não é recorrente. “A virada cultural mudou um pouco isso, mas é uma vez no ano. A gente sente falta desses eventos aqui na zona leste”, afirma.

A maioria do público era composto por famílias e pessoas de diversas faixas etárias.
Bárbara Correa

Famílias aproveitaram a programação da Virada.
Bárbara Correa

Comparando a Zona Leste com demais regiões, se percebe que a quantidade de atrações é menor, mas isso acontece recorrentemente, não apenas na Virada. “É, faz falta memo mano, faz falta show na quebrada! ”, é o que responde Yago Silva, de 21 anos, ao ser perguntado se sente falta de eventos e shows perto de onde mora.

Normalmente, moradores de regiões afastadas do centro levam pelo menos uma hora para se deslocar até o trabalho. A problemática se mostra agravante quando esses cidadãos precisam fazer essa mesma “viagem” para a diversão e lazer. “Nem todo mundo tem essa vontade de se deslocar tanto. A gente já tem que atravessar a cidade sempre pra trabalhar, pra estudar, ver amigos”, afirma Amanda Laurentin, de 30 anos.

De acordo com Bruno Vieira, de 17 anos, somente as regiões próximas ao estádio tem visibilidade e mais acesso a eventos. Regiões mais afastadas, como o extremo leste de São Paulo, continuam no anonimato e sem representatividade. “Até ano passado, tinha muita pouca coisa vinda do governo. Eu acho que teve um crescimento, mas só na parte do estádio. A gente que mora a 15 minutos daqui não vê praticamente nenhuma mudança”, comenta o jovem.