Bring Me The Horizon em outras perspectivas (e idiomas) - Revista Esquinas
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Bring Me The Horizon em outras perspectivas (e idiomas)

Por Yasmin Altaras : janeiro 29, 2019

A banda britânica aposta no pop rock em seu novo disco e conquista novo público

O grupo inglês de rock Bring Me The Horizon, formado em 2004, lançou nesta sexta-feira (25), seu sexto álbum de estúdio, amo. Liderado pelo vocalista Oliver Sykes, a banda passou por transformações em seu estilo musical durante os quinze anos de carreira, partindo do deathcore para um som mais pop rock/eletrônico. A transformação sonora foi abraçada pelo quinteto objetivando atingir um público maior e desenvolver uma melodia mais diversa para a banda, além de ter sido ocasionada também pela chegada de Jordan Fish, tecladista e backing vocal, em 2012.

Originária de Sheffield, a banda passou parte do ano de 2018 gravando em Los Angeles e em agosto liberou o primeiro single do novo projeto, Mantra. A excitação pelo pré-lançamento gerou um hype nas redes sociais, principalmente por conta de cartazes espalhados com o primeiro verso da canção “do you wanna start a cult with me?” (você quer começar um culto comigo?), sugerindo algo misterioso e lembrando até mesmo o processo de iniciação de uma seita. Mantra também foi indicada ao Grammy Awards 2019 na categoria de melhor música de rock.

Matt Kean (baixo), Oliver Sykes (vocal), Matthew Nicholls (bateria), Lee Malia (guitarra solo) e Jordan Fish (teclado), respectivamente
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Composto por treze faixas, amo transita por questões presentes em um relacionamento. Em entrevista cedida ao site da revista britânica NME (New Musical Express), Sykes explica o porquê desse nome para o disco, alegando que “obviamente ‘amo’ é ‘I love’ em português, e obviamente tem a parte da ‘munição’ e, em português europeu, significa ‘mestre’. Soa feliz, mas tem todos esses significados escondidos que o fazem mais complexo”.

Ainda nessa entrevista, o frontman fala sobre a composição do novo trabalho e como seu divórcio, em 2016, influenciou no processo. “Você entra em um relacionamento e as pessoas escolhem lados. Há uma mentalidade padronizada. É uma maneira bem fácil de escrever um álbum conceitual sobre o amor. Tudo se resume ao amor no final”.

Oliver Sykes frequentemente vem a São Paulo para visitar a família da esposa, Alissa Salls
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Contudo, a dinâmica dos relacionamentos e a separação do vocalista não foram as únicas inspirações para o álbum. Seu casamento com a modelo brasileira Alissa Salls também contribuiu para o título do projeto e várias das citações em português presentes, em especial, para a letra da faixa Mother Tongue.

O álbum é composto por treze faixas e I apologise if you feel something, é a responsável por iniciar o álbum. Escrita com a intenção de ser a introdução para as outras músicas, ela é marcada por uma batida no estilo lo-fi, apenas com vocais e ritmos eletrônicos. “Essa canção basicamente é alguém dizendo para o/a seu/sua parceiro(a) que ambos estão no controle de seus próprios corações. Tipo, ‘desculpa se isso te machuca, mas o seu amor é seu para dar, então se o relacionamento não está funcionando para você, essa é a sua prerrogativa’”.

MANTRA, o primeiro single a ser disponibilizado, relembra o antigo som do quinto álbum de BMTH, como a banda é conhecida, That’s The Spirit. Sendo uma música de transição entre os últimos projetos. Com guitarra bem marcada, a faixa além de ser considerada um “happy hardcore”, fala sobre a semelhança entre um culto e o amor. “Começar um relacionamento — especialmente um casamento — é como começar um culto”, diz Sykes em entrevista concedida à revista Metal Hammer.

nihilist blues, foi gravada em parceria com a cantora canadense de synthpop Grimes e segue num estilo EDM (Eletronic Dance Music) com stabs de sintetizador, fugindo completamente do estilo musical produzido pela banda anteriormente. Além disso, a canção inteira trabalha com a questões de niilismo e amor, em uma atmosfera de dark rave.

in the dark, outro destaque, tem um solo de guitarra “suave” acompanhado de vocais intercalados, possuindo uma letra extremamente sombria. “É da perspectiva de alguém que acabou de descobrir que está sendo traído pelo(a) amado(a)”, afirma Jordan.

Por outro lado, wonderful life é o segundo single, em parceria com o vocalista Dani Filth de Devilment e Cradle of Filth. A faixa segue um rock mais pesado, tendo um narrador que apesar de ter uma visão sombria do mundo ao seu redor, continua dizendo que sua vida é maravilhosa — o que aparenta demonstrar conturbação. Além de falar sobre os aspectos sombrios da cotidianidade, o riff nu metal principal da música foi produzido pelos integrantes de BMTH devido à contratação feita pela banda Limp Bizkit no processo de composição de seu novo álbum. Contudo, por conta de alguns problemas de falta de comprometimento e sincronia dos membros do grupo contratante, Oliver Sykes e Jordan Fish resolveram aproveitar a música em questão no amo.

A sexta faixa é repleta de glitch pop e um ritmo dançante e por isso ouch entrou no álbum como uma “faixa interlúdio”, com contornos de bateria e baixo bem sincronizados. A letra trata do primeiro casamento de Oliver Sykes com a modelo e tatuadora Hannah Snowdon. “Isso é provavelmente tão pessoal quanto parece”, confessa o vocalista para a revista Raw Power.

O terceiro single medicine “é sobre pessoas que são influências negativas e como quando elas deixam a sua vida e as coisas realmente melhoram”, revela Fish. Além disso, a música intercala elementos de eletrônica com os de radio-friendly, isto é, que atrai o público ouvinte das rádios para o som mainstream.

Com sugar, honey, ice & tea há uma mistura de metal com Britpop. Por conta do coro e seu grave falsete crescente ela conquista até mesmo os que não são muito fãs do gênero.

A nona faixa why you gotta kick me when I’m down aborda o relacionamento de Sykes com os fãs e sobre suas opiniões em relação a ele e sua vida pessoal. Com um plug-in que agita e confunde um pouco a voz do vocalista, essa música se encaixa no estilo urban heavy com uma mixagem que lembra até o duo estadunidense Twenty One Pilots. A partir disso, chega fresh bruises como “faixa interlúdio” e seu eletrônico infundido com batidas e ritmo pesados.

O quarto single de amo, mother tongue,  aborda o amor como tema. A canção trata da questão desse sentimento conectar as pessoas mesmo que ambas não falem a mesma língua, tendo o sentimento como a conexão mais profunda.

“É provavelmente a música de amor mais jorrante, lá fora, que acabamos de escrever. Esta foi uma das mais fáceis de escrever porque foi positiva. É sobre quando eu conheci minha nova esposa e ela é do Brasil”, revela Oliver na entrevista dada na última terça-feira (22) para a rádio Beats 1.

A penúltima faixa, heavy metal, é uma ironia para aqueles fãs que reclamaram da transição de gênero da banda de um deathcore/metal para um rock mais “complementado”, pois ela segue a linha pop rock beatboxing, principalmente por conta da participação do rapper e beatboxer Rahzel, ex-membro do The Roots, finalizando com i don’t know what to say. A letra composta por Oliver é em homenagem a seu amigo Aiden, que morreu de câncer em 2017.

Capa do sexto álbum de Bring Me The Horizon
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Um álbum de apostas e experimentação, amo destaca-se pela profundidade de suas letras, simultaneamente, com a explosão de artifícios utilizados. A metamorfose da banda comprova a maestria do quinteto em explorar novos gêneros, o que, afinal, demonstra que BMTH parece realmente estar trazendo um novo horizonte para o cenário musical.