Como jovens se relacionam com a checagem de fatos nas redes - Revista Esquinas

Como jovens se relacionam com a checagem de fatos nas redes

Por Evelyn Aires e Giovana Perez : julho 4, 2023

Jovem sentada com um celular na mão e de fundo uma parede grafitada. Foto: Esquinas / Canva

Hábito de verificar informações ainda não está consolidado entre parcela expressiva de quem acessa as redes sociais

Uma das etapas fundamentais da apuração jornalística é a checagem de fatos. Tão importante quanto a redação de uma matéria — senão mais —, a verificação passou a ser notada e discutida nos últimos anos, graças à popularização das redes sociais e dos aplicativos de mensagens instantâneas.

Essas ferramentas se tornaram indispensáveis para lazer e trabalho, como mostra um estudo feito pela Comscore: o Brasil é o terceiro país que mais utiliza redes sociais no mundo — e lidera a lista na América Latina. Mas elas também abrem espaço para a desinformação. Será que os jovens, recorte etário mais presente no ambiente digital, têm o hábito de verificar, por si só, aquilo que consomem?

Ao rolar pela timeline de uma rede, diversas informações são transmitidas aos usuários. Entretenimento, política, economia, os temas variam. Às vezes, uma determinada notícia bombástica pode aparecer uma, duas… três vezes? Na dúvida, pode ser tentador correr para o Twitter e pesquisar o assunto nos trending topics. Mas existem formas mais seguras de se atestar a veracidade de uma manchete, foto ou vídeo.

Erick Santos Silva, 19, cursa Eletrônica na ETEC Albert Einstein, na Zona Norte de São Paulo, e conta que recorre a portais de notícias para checar o que encontra na internet. “Vou aos sites, porque tenho o costume de saber da veracidade das informações”, explica. UOL e Folha são os preferidos, mas “dependendo do assunto, vou ao G1 e leio a matéria completa”, conclui o jovem.

Por outro lado, um levantamento feito pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), em parceria com a UNESCO, aponta que 43% da população entre 9 e 17 anos não sabe checar se uma informação nas redes é falsa. Para tornar mais complexo o cenário, outra pesquisa realizada em 2021, pela Tic Kids Online Brasil, apurou que 78% dos jovens que usam a internet têm acesso às redes sociais. E como separar o joio do trigo quando não se sabe o que é o quê?

“É sempre importante levantar alguns fatores”, ressalta Juliana Coin, jornalista e embaixadora da Open Knowledge Brasil, organização da sociedade civil (OSC) sem fins lucrativos e apartidária. “De onde recebemos a informação? Se for pelo Whatsapp, precisa ver quem está enviando. Questione sempre quem é o emissor”, ensina ela, como primeiro passo para uma checagem de fatos adequada.

Um fator que pode indicar a qualidade de uma informação é saber de onde ela foi extraída, ou seja, onde ela nasceu: “Checar a fonte, se é um pesquisador, uma universidade ou instituição. Notar se é uma reportagem baseada em jornalismo de dados”, continua Coin.

A instituição da qual Juliana faz parte desenvolve projetos voltados ao jornalismo de dados, analisa políticas públicas e avalia a transparência de entes da sociedade civil. É descrita pela jornalista como “uma rede pelo conhecimento livre internacional”. O Fórum de Jornalismo de Dados, por exemplo, foi uma criação da Open Knowledge Brasil, em 2019, em parceria com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

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Outra dica para quem busca por informações mais precisas é seguir o exemplo dado pelo estudante Erick Silva: procurar evidências dos relatos encontrados nas redes em portais de notícias que façam apurações qualificadas e tenham credibilidade.

Para além de agentes mal intencionados, redes e plataformas de mensagens contam com uma grande quantidade de pessoas sem qualquer comprometimento com as informações que passam adiante. Juliana lembra que “qualquer pessoa pode produzir conteúdo nas redes” e acabar propagando notícias falsas — ainda que sem intenção. A jornalista ainda enfatiza que para se compreender um assunto a fundo é preciso ler matérias na íntegra — não apenas manchete, linha fina e lide.

Por fim, Juliana Coin valoriza a importância dos profissionais da Comunicação que dedicam seu trabalho ao combate à desinformação. “É importante ir atrás de agências de checagem, como ‘Comprova’, pois elas são especializadas nesses conteúdos”, destaca ela, que ainda lembra ser possível seguir perfis como Lupa, Aos Fatos, UOL Confere, Fato ou Fake e Comprova nas redes sociais.

* Redação Aberta é um projeto destinado a apresentar o jornalismo na prática a estudantes do ensino médio e vestibulandos. A iniciativa inclui duas semanas de oficinas teóricas e práticas sobre a profissão. O texto que você acabou de ler foi escrito por um dos participantes, sob a supervisão dos monitores do Núcleo Editorial e de professores de jornalismo da Cásper Líbero.

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