Professor da rede estadual paulista distribui celulares que arrecadou para alunos durante a pandemia - Revista Esquinas

Professor da rede estadual paulista distribui celulares que arrecadou para alunos durante a pandemia

Por Leonardo Sarvas e Vinícius Soares : julho 6, 2021

Em Várzea Paulista (SP), docentes se mobilizam para possibilitar o acesso de estudantes às aulas virtuais. Professor idealizador da corrente de doação lamenta “exclusão social grave” por causa de nova realidade escolar

“PROMETI DAR UM JEITO”

Para Leomilton, “não era surpresa” notar a quantidade de alunos sem responder às tarefas virtuais da escola. Com a pandemia da Covid-19, ele analisa que a exclusão social se agravou: “No submundo da exclusão, existe uma faixa sem celular”, apontou em referência às políticas de educação adotadas pelo Governo do Estado.

Live do Governo do Estado

Lançamento das aulas virtuais por televisão e celular para alunos da rede estadual paulista, em abril de 2020
Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

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“TODOS NÓS TEMOS MEDO”

Para recolher os aparelhos, Leomilton conta agora com a ajuda de outros professores, mas lembra que não gosta de inserir muitos na arrecadação por temer o alastramento do coronavírus. “Todos nós temos medo. Nossa insegurança e nosso emocional já são muito abalados mesmo sem a pandemia”, descreveu.

O docente encontrou o apoio de colegas professores que “abraçaram a causa”. Uma delas, Daniele Avanti, 34 anos, coordenadora pedagógica e bióloga de formação, confessa que “não imaginava tanta repercussão de uma publicação”. Ela conta que, em 2020, tentou conseguir celulares para os alunos, mas que somente quatro foram doados. Neste ano, com um maior número, os chips de internet já foram colocados nos aparelhos — que também foram logo cadastrados nos sistemas de educação a distância da escola.

“QUERO QUE TUDO PASSE”

Ultrapassando as 450 mil vidas perdidas por coronavírus no Brasil, o País se afunda e se afoga em um mar de vírus. Os maiores prejudicados: negros, pessoas de baixa escolaridade e pobres — segundo o estudo Social Inequalities and Covid-19 Mortality in the City of São Paulo, publicado no International Journal of Epidemiology em fevereiro de 2021.

Mulher com vacina na mão

acinação em formato drive-thru contra a Covid-19 tomou o Parque da Cidade, em Brasília
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Estudante

Letícia Silva, assistente de operações de 21 anos, é ex-aluna de Leomilton
Acervo Pessoal

COM A PALAVRA, A SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Questionada sobre o funcionamento dos chips e sobre a situação dos estudantes sem aparelhos celulares, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) afirmou que checará se houve falha com o funcionamento dos chips de internet entregues aos alunos mais vulneráveis da Escola Estadual “Idoroti de Souza Alvarez” — onde trabalha o professor Leomilton. Mesmo assim, o órgão alega que, até o momento, nenhuma queixa foi formalizada a respeito de problemas com os dispositivos.

Rossieli Soares

Posse do secretário da Educação do Estado de São Paulo, Rossieli Soares
Divulgação/Governo do Estado de SP