Como o estudo remoto impactou a rotina e o emocional de alunos e professores - Revista Esquinas

Como o estudo remoto impactou a rotina e o emocional de alunos e professores

Por Brisa Sayuri Kunichiro, aluna do projeto Redação Aberta #1* : maio 28, 2021

Profissionais de educação e estudantes contam como a adaptação a este novo meio tem sido desafiadora

Durante a pandemia, escolas tiveram que fechar as portas e se adaptar ao ensino remoto, o que foi um grande desafio enfrentado pelos alunos. Este sistema foi implementado de forma urgente e não foi o considerado ideal para muitos, como mostra pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), em que 72% dos estudantes reprovaram a qualidade do ensino remoto obrigatório. “Neste sistema você não sente direito o que está realmente acontecendo, quando você estava na sala, você sabia quando a coisa estava ruim, você sentia na hora.” disse Agatha Freitas Rodrigues, 16 anos, estudante do Colégio Brasília.

“Eu acho que foi um processo complicado pelo fato que nós precisamos nos esforçar muito mais, porém recebendo menos das aulas. Particularmente foi difícil se adaptar para um ensino mais ativo do que passivo, como era presencial”, diz Gustavo Tito Brito da Silva, 16 anos, estudante da instituição Colégio Brasília de São Paulo. Ele também afirma que sua rotina de estudos mudou, pois a quantidade de tempo dedicada à escola aumentou, porém a qualidade diminuiu.

Além da rotina, a saúde mental dos alunos também foi afetada: eles alegam que, com esta mudança repentina, se desestabilizaram mentalmente, já que a adaptação foi cobrada com muita rapidez e a falta de contato e interação com outras pessoas dificultaram ainda mais. “Muita gente ficou se sentindo insuficiente no ensino remoto, se sentiram sobrecarregados e culpados por não conseguir se adaptar e fazer as coisas como no presencial”, diz Amanda Venancio Santaela, de 15 anos e aluna da mesma instituição.

Entretanto, alguns estudantes conseguiram encontrar um lado positivo neste meio e focar no aumento de tempo proporcionado pela pandemia, como Eduardo Shoiti Ishii Aragaki, 16 anos, aluno da instituição ETEC Professor Camargo Aranha, que apresentou pontos positivos em meio a este cenário: “como a minha escola é longe, tem a parte boa de utilizar o tempo perdido no transporte em estudo e descanso, com o o aprendizado de coisas novas, cursos etc. O isolamento também ajudou a melhorar minha concentração, pois quando estava presencial, bagunçava mais do que estudava.”

Para os professores, a falta de retorno está sendo o maior desafio, pois a interação cara a cara mostrava o desempenho das aulas. Além disso, tiveram que adaptá-la a um esquema completamente novo, inserindo de vez a tecnologia no meio educacional. Rodrigo Ratier, formado em jornalismo, doutor em educação, e professor da faculdade Cásper Líbero, afirmou que antes da pandemia os professores eram avessos a tecnologia, diziam que era “mais eficiente lousa, giz e conversação”.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Península, antes da pandemia, apenas 64% dos professores diziam que a tecnologia era importante no ensino, índice que subiu para 94% após a implementação do ensino remoto. “Essa adaptação, mesmo que eles se queixem e falem das dificuldades, […] no fim das contas, para quem está conseguindo passar por ela, está transformando-os em melhores professores”, conclui Ratier.

* Redação Aberta é um projeto destinado a apresentar o jornalismo na prática a estudantes do ensino médio e vestibulandos. A iniciativa inclui duas semanas de oficinas teóricas e práticas sobre a profissão. A primeira edição ocorreu entre 17 e 28 de maio. O texto que você acabou de ler foi escrito por um dos participantes, sob a supervisão dos monitores do núcleo editorial e de professores de jornalismo da Cásper Líbero.

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