“As mulheres se uniram para fazer a história do futuro”: evento organizado por frentes casperianas debate vitórias e percalços do movimento feminista - Revista Esquinas

“As mulheres se uniram para fazer a história do futuro”: evento organizado por frentes casperianas debate vitórias e percalços do movimento feminista

Por Ana Laura Ferrari : março 11, 2021

A live reuniu alunas e representantes de frentes casperianas para refletir sobre o significado do Dia Internacional da Mulher e o papel feminino na sociedade

“O dia das mulheres não é sobre ganhar presentes, sair para almoçar; é sobre a gente se juntar, é para a gente chamar mais mulheres para lutar pela causa para conseguirmos fazer a história no mundo, para não deixarmos espaços de tempo tão longos entre as nossas conquistas”.

A fala de Lurdis Maria Mendes Lima Izidoro, vice-presidente da Frente Feminista Casperiana Lisandra (FFCL) foi uma de tantas marcantes no evento “As mulheres se uniram para fazer a história do futuro”. A live no Dia Internacional da Mulher foi organizada pela frente junto ao Centro Acadêmico Vladmir Herzog (CAVH) e outras entidades acadêmicas para ouvir as mulheres da faculdade e refletir sobre o significado da data, discutindo a posição da mulher na contemporaneidade.

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A reunião se estendeu por duas horas para dar conta das discussões inesgotáveis que tiveram início com um panorama sobre a origem da data. O oito de março está relacionado à luta de operárias soviéticas que nesse dia, em 1917, se manifestaram reivindicando seus direitos trabalhistas e foram fortemente reprimidas pelas tropas do Czar Nicolau II.

 

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O cunho político das lutas feministas foi debatido durante grande parte da exposição. Aline Colarusso, representante do CAVH, falou sobre a participação feminina na tomada de decisões do País, área secularmente dominada por homens brancos, mas que tem sido, aos poucos, ocupada também por mulheres.

“Hoje, cerca de 15% do Congresso Nacional é ocupado por mulheres e já somos 23% da Câmara paulistana, um novo recorde, apesar de muito distante da paridade que reivindicamos”, disse. “Também surge esperança com um dado impressionante relacionado à pandemia: dos cinco melhores países para se viver neste período, três são governados por mulheres (Nova Zelândia, Finlândia — onde a primeira-ministra é a mais jovem do mundo — e Cingapura), mostrando a capacidade feminina para liderar”, completou.

Neste momento, foi impossível não lembrar de diversos casos de hostilidade contra mulheres no cenário político brasileiro, sendo um deles o assassinato da deputada Marielle Franco, cujo responsável continua impune há quase três anos.

Trabalho

A desigualdade de gênero presente no mercado de trabalho foi colocada em pauta por Laura Ferrazzano, uma das editoras-chefe do Her Campus, e pela leitura de um texto que alunas de Relações Públicas fizeram para a ação do perfil laboratorial Cásper Diem.

“As mulheres representam 26% no mundo da comunicação, e essa porcentagem tem que crescer cada vez mais, pois diariamente sofremos com a violência em todos os sentidos. Nossa história deve ser contada para, assim, mudarmos e termos igualdade, e a mídia é um papel fundamental nesse processo”, escreveram.

Contribuição das frentes

Outro texto, elaborado pelo coletivo CásperÁsia, e uma fala de Suzana Rodrigues, diretora do Africásper, trouxeram à tona posicionamentos e problemáticas abordadas pelos feminismos asiático e negro. A fetichização de mulheres negras e asiáticas e o apagamento de mulheres negras da história do Brasil (como, por exemplo, de Dandara dos Palmares, importante figura na luta abolicionista e esposa de Zumbi) foram pautas abordadas.

Yasmin Laura Correa, integrante da Bateria da Cásper, contribuiu com uma fala sobre a figura da mulher no samba, que tem sido ligada somente à imagem de passistas e da Globeleza, referências que reduzem a mulher ao corpo e a um objeto de consumo.

Essa objetificação do corpo feminino foi uma das pautas que mais rendeu posicionamentos quando o debate foi aberto, assim como a gordofobia, a discussão sobre o limite de exposição de corpos e empoderamento, o acolhimento de mulheres trans pelo movimento e a presença de homens.

Ao final do evento, a conclusão tirada foi a necessidade de união entre vertentes e movimentos para conquistar os avanços desejados, além da importância do diálogo para a conscientização.

O evento completo está disponível no Youtube da Lisandra e pode ser acessado clicando aqui.

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