O bom filho a casa torna - Revista Esquinas
REVISTA DIGITAL LABORATÓRIO
DA FACULDADE CÁSPER LIBERO

O bom filho a casa torna

Por Thiago Pansica : junho 14, 2019

A Copa América retorna ao Brasil após 30 anos

Hoje começa o principal torneio de futebol envolvendo apenas seleções sul-americanas, que dura até o dia 7 de julho. A Copa América volta ao Brasil depois de 30 anos. É o país-sede pela quinta vez em 103 anos de história. A primeira partida será entre Brasil e Bolívia, às 21h30, no Estádio do Morumbi, em São Paulo.

Disputado desde 1916, é o campeonato de seleções mais antigo do mundo. Das quatro edições da Copa América em solo brasileiro até agora, a seleção canarinho saiu vencedora em todas (1919, 1922, 1949 e 1989). No total, somam-se oito títulos – os outros aconteceram na Bolívia (1997), Paraguai (1999), Peru (2004) e Venezuela (2007). Esse retrospecto favorável jogando em casa gera muita expectativa no torcedor brasileiro, que vive um jejum de 12 anos.

O Brasil é a seleção sul-americana mais bem colocada no ranking da Federação Internacional de Futebol (FIFA), seguido apenas pelo Uruguai e Argentina. Brasileiros e uruguaios já se enfrentaram na decisão final cinco vezes, incluindo a de 1919. Em comemoração à primeira vitória do País, que em 2019 completa cem anos, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou no dia 9 de abril deste ano, em um evento na sua sede oficial no Rio de Janeiro, que o uniforme número três será uma homenagem ao usado naquela ocasião: camisa branca com gola azul.

A nova camisa da Seleção Brasileira se inspira nos modelos da Copa América de 1919 e 1989
Divulgação

Além das três grandes potências do continente, outro time que chega com força para disputar o título é o Chile, vencedor das duas últimas edições (2015, em casa, e 2016, em comemoração ao centenário do campeonato, nos Estados Unidos, a primeira fora da América do Sul). Coincidentemente, as duas vitórias chilenas foram decididas contra a Argentina e nos pênaltis. Após não conseguirem a classificação para a Copa do Mundo de 2018 – ficaram atrás do azarão Peru nas eliminatórias por apenas um ponto –, os chilenos apostam no ex-técnico do Flamengo Reinaldo Rueda, contratado em janeiro de 2018 para substituir Juan Antonio Pizzi. Este deixou o cargo após diversas críticas, inclusive do então camisa 10 da seleção, Jorge Valdivia, que em entrevista à rádio BioBioChile atribuiu a não classificação ao técnico.

Mesmo com pouco mais de um ano de trabalho já dá para ver o dedo do colombiano Rueda: no último amistoso realizado em Houston, nos Estados Unidos, contra a seleção norte-americana, o time chileno teve convocações inéditas como a do jovem de 19 anos Iván Morales, do Colo-Colo. A equipe liderada pelo veterano Arturo Vidal, meio campista do Barcelona, estreia na competição no dia 17 de junho, também no Morumbi.

Figurinhas carimbadas: os destaques da atual Seleção Brasileira
Arte Thiago Pansica / Henrique Artuni

De volta ao time brasileiro, o protagonismo de jogadores daqui no campeonato europeu – como os já consagrados Neymar e Philippe Coutinho – foi ofuscado por contusões, problemas disciplinares e eliminações precoces na UEFA Champions League (temporadas de 2018 e 2019), o principal campeonato de clubes do mundo. Isso não quer dizer que o Brasil não houve jogadores que brilharam no velho continente: com a saída de Cristiano Ronaldo do Real Madrid, por exemplo, o novato de 18 anos Vinícius Júnior ganhou espaço na equipe espanhola. Não sentiu o peso da camisa e teve grandes atuações em pouco tempo, caindo na graça dos torcedores merengues e recebendo uma vaga no time titular.

Outro jovem de destaque é David Neres. O camisa 7 do Ajax foi peça fundamental para o time holandês chegar à semifinal da Champions League do ano passado, feito que não alcançava desde 1997. Falando nessa semifinal, o atacante brasileiro Lucas Moura, que se transferiu para o inglês Tottenham na última temporada, marcou três vezes em uma virada histórica contra o Ajax de Neres, garantindo a final do campeonato aos spurs.

Esse bom desempenho garantiu vaga na convocação para David Neres, porém Vinícius Júnior ficou de fora da lista, a decisão mais polêmica do técnico Tite. A escolha foi considera mais controversa principalmente depois da lesão sofrida pelo “craque da seleção” Neymar no amistoso disputado em Brasília contra o Catar no dia 5 de junho. A contusão levou ao corte do camisa 10, e o escolhido para substituí-lo foi um velho conhecido: William, meia do inglês Chelsea, veterano das Copas do Mundo. Na coletiva de convocação, quando perguntado, Tite disse que foi a convocação mais difícil que fez.  Mas também é uma decisão que gera dúvida: se o técnico realmente está preocupado com a continuidade do trabalho visando o maior objetivo da seleção brasileira – a Copa do Mundo de 2022 do Catar – ou se ele convocou pensando apenas em vencer a Copa América pelo fato de estar preocupado com uma possível demissão caso o título não venha.

A Copa América deste ano ainda terá como convidadas as seleções do Catar e Japão. A competição normalmente possui representantes da América do Norte ou Central como convidados, mas em 2019 será disputada a Copa Ouro da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf), o que inviabiliza a participação dessas equipes. As mais cotadas eram México e Estados Unidos, substituídos pelas equipes catariana e japonesa. Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela completam a lista de 12 equipes que o Brasil terá que superar se quiser sair vitorioso mais uma vez no próprio território e quebrar o jejum de 30 anos.