5 inovações que visam um futuro melhor para o meio ambiente e a sociedade - Revista Esquinas

5 inovações que visam um futuro melhor para o meio ambiente e a sociedade

Por Helena Figueroa, Junior Monte e Laura Justino : setembro 26, 2019

Tecnologias sustentáveis devem ser prioridade para o desenvolvimento nas cidades modernas e já estão sendo colocadas em prática ao redor do planeta

Cidades buscam um crescimento sustentável, o que exige investimentos em novos modelos de gestão e de soluções de problemas. Enquanto o ritmo de produção e consumo acelerado conduz a cidade a um futuro preocupante, existem tecnologias sustentáveis que tentam reverter esse cenário para algo melhor. Elas oferecem benefícios ao meio ambiente e à sociedade e são uma aliança em potencial para a sustentabilidade do planeta. Lutam contra o desperdício, agem no setor da saúde, reveem a qualidade dos transportes, reciclam e monitoram a produção de energia elétrica. Abaixo, conheça cinco delas que auxiliam um desenvolvimento mais harmônico entre sociedade e natureza.

1. Energia solar fotovoltaica

Obtida pela conversão direta da luz em eletricidade, o efeito voltaico, esse tipo de produção de energia tem como unidade fundamental célula fotovoltaica, um dispositivo fabricado com material semicondutor. A transição para essa energia renovável reverte-se em atividades socioeconômicas. Aquele que instala um sistema de energia abate o próprio consumo e gera excedentes de energia que injeta na rede, transformados em créditos. Esse método reduz as contas de luz para praticamente zero, gasto que pode ser dedicado a outros bens de consumo e serviços e que movimenta a economia local. Para cada unidade consumidora, é necessário fazer sua instalação. Há toda uma logística de entrega desses produtos, o que implica na importância de uma mão-de-obra especializada em cada localidade para os aparelhos, gerando empregos.

2. Revitalização de águas

O EM1, produto composto por bactérias benéficas que “comem” as maléficas, é uma das inovações criadas para revitalizar os rios. Como um catalisador, permite a retirada de substâncias nocivas no leito do rio, acumuladas pelos resíduos dos esgotos que são jogados nas águas.

O método é usado pela Prefeitura de Lauro de Freitas, na Bahia. Iniciadas há um ano, as medições mensais evidenciaram redução de bactérias, como coliformes fecais, e melhoria na água. Um dos rios da cidade passou novamente a ser lar de peixe, e a fauna local vem se recuperando.

3. Mapeamento geoambiental com o uso de drones

A utilização de drones e Veículos Aéreos Não Tripulados (Vants) como alternativa para o monitoramento de atividades agrícolas e de áreas rurais com risco ambiental é cada vez mais frequente em ações da gestão pública. Dentre suas aplicações, o setor do agronegócio possui predominância para obtenção de um panorama geral das áreas de plantio e para identificação de falhas no cultivo. Iminência de pragas e áreas de risco de problemas ambientais também podem ser detectadas pela tecnologia.

Esse sistema, no entanto, exige alto nível técnico. O processamento de imagens georreferenciadas envolve o manuseio de sensores, softwares de navegação e um tratamento e processamento específico de imagens. Além disso, é necessário um planejamento de voo e a geração de relatórios das imagens captadas.

Pesquisas com o emprego dessa tecnologia ocorrem desde 1998 e hoje já se estuda a possibilidade de obter os dados da plataforma em tempo real via celular. A ideia é que a ferramenta auxilie o agricultor a diagnosticar sua própria propriedade com rapidez, eficiência e precisão. Isso também geraria laudos ambientais para identificar atividades ilegais que possam prejudicar o meio ambiente.

Essa ferramenta pode ser um interessante recurso durante momentos de desastres ambientais, como o que ocorreu em novembro de 2015, na cidade de Mariana, em Minas Gerais, o de janeiro de 2019, na cidade de Brumadinho, também em Minas, e as queimadas na Floresta Amazônica em agosto deste ano. Nos dois episódios, utilizaram-se drones de apoio às equipes de resgate, de identificação e localização de vítimas e de acompanhamento do transporte de equipamentos, o que possibilitou um maior entendimento da dimensão das tragédias. Drones também foram empregados posteriormente para monitoramento diário das estruturas das barragens e áreas de risco de incêndio, prevenindo que situações similares ocorressem novamente.

4. Hortas na zona urbana

A cidade de Xalapa, capital do estado de Veracruz, no México, possui uma população estimada de 500 mil habitantes, o que acarreta diversos problemas em seu desenvolvimento e expansão. Dentre as políticas adotadas para um melhor desenvolvimento, a rede de hortas espalhadas pela cidade foi uma alternativa aplicada pelo governo municipal de Hipólito Rodríguez.

Os cidadãos recebem as ferramentas básicas para o cultivo e plantio das sementes e obtêm auxílio de agrônomos e ecologistas das universidades locais. As hortas ficam nos telhados dos prédios, ao fundo das residências ou em terrenos ociosos.

A matéria orgânica para a produção de adubo tem de ser levada para a Prefeitura, que realiza o processo de compostagem e, só depois, retorna a composta à população. Quando os alimentos estão prontos para consumo, os donos das hortas armazenam para si e vender o excedente em feiras e comércios da cidade.

5. Captação da água de chuvas

Além da rede de hortas espalhadas pelo município de Xalapa, o governo municipal também investe seus recursos para captar água das chuvas e reutilizá-la. A cidade emprega a tecnologia há cinco anos e recentemente identificou o alto uso de água em escolas primárias – local que possui fornecimento gratuito de água pelo governo –, o que levou o poder público a implementar a prática nesses locais.

As águas são captadas da chuva, tratadas e colocadas em uma cisterna, caso haja necessidade de armazenamento. A intenção é ampliar a política a nível municipal, não apenas nas escolas, e mostrar não somente a boa relação custo-benefício, mas a relevância para a comunidade local.