"Oscar Canino": Pimpão, de Ainda Estou Aqui, recebe FIDOS Award - Revista Esquinas

“Oscar Canino”: Pimpão, de Ainda Estou Aqui, recebe FIDOS Award

Por Mateus Monteiro da Costa, Maria Fernanda Barros Oliveira, Julia Paixão e Maria Alice Primo : abril 2, 2025

O FIDOS Awards premia cães nos filmes há 18 anos, em 7 categorias diferentes. Foto: Instagram/@aindaestouaqui

Conheça mais sobre a premiação que aprecia o talento canino e o “por trás das câmeras” quando se tem bichos no set de filmagens

A produção brasileira “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, repercutiu mundialmente, recebendo diversas premiações em festivais de cinema, como Melhor Filme Internacional no Oscar, Melhor Atriz em Filme Dramático no Globo de Ouro, e o mais inusitado dessa lista, o prêmio “Historical Hound” no “Oscar canino”.

O FIDOS (For Incredible Dogs on Screen, traduzido como “Para Cães Incríveis em Filmes”) também premiou, na edição deste ano, cães em filmes como Deadpool & Wolverine, O Dublê, e Bridget Jones: Louca pelo Garoto, tendo, no total, sete categorias.

A premiação surgiu em 2007, criada pelo jornalista de cinema Toby Rose, que idealizou a premiação “Palm Dog”, que acontece desde 2001 no Festival de Cinema de Cannes, com o mesmo objetivo de premiar cães que atuaram em filmes participantes do festival.

A edição deste ano foi realizada no British Film Institute Stephen Street (Instituto de Filmes Britânico Stephen Street), em Londres, no dia 23 de fevereiro. O evento foi apresentado pelo próprio fundador da premiação, e os vencedores receberam uma coleira contendo o nome da categoria que participaram, sendo escolhidos por um júri de jornalistas de cinema. Filmes de animação também podem ser indicados.

Ao todo, a cerimônia contou com sete categorias de premiações, sendo Rom-Com Rover (melhor filme de comédia romântica), Mutt Moment (momento marcante em um filme), Comedy Canine (melhor filme de comédia), Blockbuster Bowser (performance do ano), Best in World (melhor cachorro), FiDogManitarian (uma premiação em parceria com a organização Therapy Dogs Nationwide, onde cães podem ser voluntários em estabelecimentos para fornecer conforto, diversão e estimulação), e Historical Hound (melhor filme de drama), este último sendo a premiação que Ainda Estou Aqui recebeu.

Confira a lista dos indicados na cerimônia deste ano, estando em destaque o vencedor de cada categoria:

Rom-Com Rover: Cachorro resgatado por Roxster (Bridget Jones: Louca pelo Garoto), Lucy (Prom Dates), Veronica (Nosso Segredinho)

Mutt Moment: Pastor Alemão (Bridget Jones: Louca pelo Garoto), Toto (Wicked), Xin (Gou Zhen)

Comedy Canine: Peggy (Deadpool & Wolverine), Doug (O Homem-Cão), Gromit (Wallace & Gromit: Avengança)

Blockbuster Bowser: Jean Cloude (O Dublê), Bloofy (Divertidamente 2), Cães de segurança (Operação Natal)

Historical Hound: Ozzy (Ainda Estou Aqui), Charlie Brown (O Aprendiz), Poodles (Maria)

Best in World: Peggy (Deadpool & Wolverine) – Sem outras indicações

FiDogManitarian: Roger – Sem outras indicações

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A escolha dos cães

Trabalhando com Walter Salles há mais de 20 anos, a consultora de animais In-Coelum Perdigão, de 68 anos, foi a responsável por designar qual animal participaria do filme. A ideia original de Walter Salles é que fosse um vira-lata, mas a consultora recomendou não utilizar. “Conforme a solicitação e orientação do diretor Walter Salles, ele queria um macho, de porte pequeno e que fosse um vira-lata. Informei a ele que não trabalhava com vira-latas porque teria dificuldade de ter dublês no set, que são essenciais ao conforto do titular”. In-Coelum então sugeriu duas raças, a Podengo Português de Pelo Liso e Jack Russell, sendo essa a escolhida para os cães atores.

Após a escolha da raça, a consultora trouxe cerca de 20 cães para serem selecionados ao papel principal. Por meio de um processo de audição, Ozzy foi escolhido como protagonista justamente pelo seu temperamento calmo. “Eram cenas muito difíceis e deveriam ser feitas por um cão muito calmo. O critério principal de seleção foi esse”. Outros quatro Jack Russells foram designados como dublês para auxiliarem nas gravações.

A preparação de Pimpão

Após a escolha de Ozzy como Pimpão, ele foi morar com a preparadora In-Coelum quando completou quatro meses, pois precisava se adaptar às cenas que seriam feitas. Inicialmente foi treinado e acostumado com a praia para a primeira cena, quando Marcelo o encontra no local. “Trabalhamos intensamente as cenas escritas no roteiro. Os dublês não moravam comigo, eu os pegava para levar ao set e fazer ensaios, adaptação ao elenco e repasse de cenas. Foquei somente num cão para termos os resultados solicitados pela direção”.

Mesmo sendo a primeira vez dos cães em sets de filmagem, a preparadora contou que o processo de adaptação e de filmagem deles foi tranquilo, e foi procurada diversas vezes pelo diretor para ser elogiada pelas atuações. “Às vezes eles têm dificuldade de entender alguma orientação, mas se tivermos paciência, eles acertam. Toda vez que saía do set, o diretor vinha cumprimentar a atuação”.

O talento e a boa preparação dos atores ficou ainda mais evidente após o personagem Pimpão receber a premiação no FIDOS Awards. “O Brasil jamais venceu um prêmio como esse. É inédito! É preciso preparar esses animais com muita dedicação e amor. Ter sido vencedor desse prêmio FIDO AWARDS me enche de orgulho. Acho que eu e o diretor escolhemos bem o cachorro para ser Pimpão. O reconhecimento chegou”, finaliza In-Coelum.

Editado por Luca Uras

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