'Que a Força esteja com você': como a franquia Star Wars impacta novas gerações de fãs - Revista Esquinas

‘Que a Força esteja com você’: como a franquia Star Wars impacta novas gerações de fãs

Por Felipe Sales e Mariana Camacho : maio 6, 2024

Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Mais de 40 anos após estreia, a saga Star Wars segue conquistando novos públicos e mantém viva a comunidade de fãs

Não é novidade que a franquia Star Wars é um grande fenômeno na indústria cinematográfica e também um incontestável sucesso de público. Os fãs da saga possuem até mesmo uma data para chamar de sua. Em 4 de maio é comemorado o dia de Star Wars ou, como é mais conhecido, o “May the 4th”, em alusão à expressão em inglês “may the force be with you”, dita pelas personagens em diversas produções da marca. Apesar de existir há quase 50 anos, Star Wars não para de conquistar públicos cada vez mais jovens.

A origem e o sucesso de Star Wars

Criada nos anos 70, a série de filmes idealizados pelo cineasta norte-americano George Lucas se perpetuou no cenário da cultura pop ao longo dos anos. Seja pela originalidade narrativa, pelo apelo no mercado ou mesmo pela relevância de seus temas, a franquia Star Wars expandiu-se consideravelmente desde o lançamento de seu primeiro filme, “Uma Nova Esperança”, em 1977. A estreia da saga rendeu à produção uma quantia impressionante de 775,4 milhões de dólares em bilheteria, o maior valor arrecadado na década.

O triunfo de Star Wars enquanto blockbuster perdurou nos anos seguintes, com o lançamento de “O Império Contra-Ataca”, em 1980, e “O Retorno de Jedi”, em 1983. Juntas, as continuações totalizaram o equivalente a 1.02 bilhão de dólares em bilheteria desde seus lançamentos. Do ponto de vista mercadológico, a franquia havia se consolidado como uma das maiores marcas da história da indústria do entretenimento.

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Gravações de “O Retorno de Jedi” em 1982
Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

O sucesso não parou por aí. Já no final dos anos 90, George Lucas decidiu expandir o universo de Star Wars com novas produções que contariam a história do jedi Anakin Skywalker e sua transformação no vilão Darth Vader. A trilogia prequel, como ficou conhecida, foi lançada entre 1999 e 2005, com valor de bilheteria ultrapassando 2,5 bilhões de dólares na somatória dos três filmes.

Em 2015, dez anos após o último longa, a franquia lançaria uma continuação para a trilogia original dos anos 70 e 80, depois de ter sido comprada pela Disney por 4 bilhões de dólares em 2012. Diferente das produções anteriores, entretanto, o novo projeto não contaria com a participação de Lucas. Ainda assim, a aposta em atualizar a base de fãs da franquia foi muito bem-sucedida. Todos os três filmes da chamada trilogia sequel atingiram valores bilionários de bilheteria, totalizando mais de 4 bilhões de dólares em conjunto.

Atualmente, a Disney investe em séries televisivas da franquia em sua plataforma de streaming, dando continuidade à proposta das animações “The Clone Wars”, de 2008, e “Rebels”, de 2014. Séries como “The Mandalorian”, “Ahsoka” e “Andor” são sucessos de audiência no Disney+, além de contarem também com a aclamação da crítica especializada.

O fandom de Star Wars

De “Uma nova esperança” à “A ascensão Skywalker”, a saga vem reunindo admiradores desde 1977. Conhecida por sua paixão pela franquia, foi formada uma comunidade diversificada que discute sobre os filmes, livros, jogos e tudo que envolve o universo expandido de Star Wars. Nem sempre existe um consenso entre os fãs — pelo contrário, existem muitas opiniões divergentes. Mas é isso que faz desse espaço tão diverso.

Para muitas dessas pessoas, a saga vai além do conteúdo. Ela é “imortal, sobreviveu ao tempo e às novas gerações”, diz Guilherme Marques Nogiri, estudante de medicina e criador de conteúdo digital. O administrador da página Fatos Star Wars, que tem quase 30 mil seguidores no Instagram, também fala sobre uma característica da franquia que geralmente é esquecida: a capacidade de unir as pessoas.

Esse senso de comunidade não se limita às redes sociais. Anualmente diversos fã-clubes se reúnem em eventos para compartilhar sua paixão, trocar conhecimento e até participar de concursos, tudo influenciado pelas criações de George Lucas. Elas inspiram convenções e exibições especiais, nas quais muitos fãs vestem trajes impressionantes que podem ir desde cosplays detalhados dos personagens icônicos até roupas baseadas nas vestes utilizadas nos filmes.

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Fãs de Star Wars fazem cosplays de personagens da franquia
Foto: Reprodução/Wikimedio Commons

“Minha história mais marcante [com Star Wars] foi um evento que frequentei: a Jedicon SP, em 2023. Acho que nunca falei tanto em público na minha vida. Venci minha timidez”, afirma Guilherme.

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Uma saga atemporal: o impacto sobre as novas gerações

A franquia Star Wars tornou-se um fenômeno com apelo cultural tão forte que ultrapassou as barreiras do tempo. Se por um lado o investimento da Disney em novas produções da saga contribuiu diretamente para que novos públicos a conhecessem, por outro, a originalidade e a relevância da narrativa garantiram que a criação de George Lucas se perpetuasse nas telas das mais variadas audiências.

Para Júlia Baptista, 19, os filmes são apenas a porta de entrada para uma vasta e dinâmica experiência:

“O universo amplo que Star Wars proporciona é uma das principais coisas que me fazem gostar da saga. Acredito que existem jogos, livros, séries, HQs e diversos outros conteúdos que fazem com que a experiência de ser fã seja cada vez mais especial, além de lembrar que, como todo fã de Star Wars diz, tudo vai muito mais além de naves, jedi, siths e sabres de luz.”

Fã da franquia desde criança, Júlia revela que Star Wars teve um grande impacto sobre ela durante a pandemia, quando passou a ler livros e HQs de Star Wars e a assistir as séries animadas “Clone Wars” e “Rebels”. Ela ainda comenta que nesse período também criou uma página no Instagram voltada para a saga.

Júlia dá conselhos para quem busca ter um primeiro contato com a franquia: “Minha dica é ter paciência. A ordem dos filmes pode ser confusa, mas assim que você assiste cada um e vai descobrindo e conectando os acontecimentos aos poucos, vira uma experiência incrível.” Ela ressalta que a grande quantidade de conteúdos pode parecer um desafio ao público iniciante e, por isso, recomenda acompanhar páginas e canais dedicados à saga, como é o caso da Fatos Star Wars.

Para mergulhar nesse universo, Guilherme recomenda desconectar-se da internet. “Tire suas próprias conclusões antes de acolher a opinião das redes sociais”. Ele explica que “a saga é gigante, são 12 filmes (incluindo o longa animado The Clone Wars) e tantas séries que às vezes me esqueço de alguma na hora de contar. Se você tem uma boa concentração e é aberto a filmes mais datados (com ritmo desacelerado e efeitos especiais antigos), a trilogia original é definitivamente o ponto de partida correto. Mas até mesmo pelas séries é possível começar. Existe um Star Wars para cada um, basta achar o seu.

Editado por Ludmila Borba

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