8 destaques da São Paulo Fashion Week - Revista Esquinas
REVISTA DIGITAL LABORATÓRIO
DA FACULDADE CÁSPER LIBERO

8 destaques da São Paulo Fashion Week

Por Ana Carolina Idalencio e Pedro Paulo Furlan : maio 1, 2019

Confira os acontecimentos mais marcantes da 47ª edição da maior semana de moda do Brasil

A São Paulo Fashion Week (SPFW) dessa estação abriu discussões no mundo da moda que vão além das tendências que pautarão o mercado nos próximos meses. A edição teve início no dia 22 de abril e aconteceu principalmente no espaço Arca, contando também com desfiles no Farol Santander e na Pinacoteca de São Paulo. Principal semana de moda no País e a quinta maior do mundo, o evento está em sua quadragésima sétima edição e contou com passarelas inovadoras, grifes inéditas e algumas polêmicas que precisam ser debatidas. Com protestos políticos, presença de designers internacionais e o Brasil se solidificando mais uma vez como potência da beachwear, a última edição da SPFW encerrou no sábado (27). ESQUINAS selecionou abaixo oito destaques da semana de moda paulistana.

1 – Polêmica

Amir Slama gerou polêmica com o desfile em comemoração dos 30 anos de sua marca. O estilista prometia diversidade em seu casting, convidando figuras destaque como Jojo Todyinho e Gominho, mas só expôs as peças de moda praia, pelas quais é conhecido, em modelos magros e musculosos. Sua passarela, por mais que contasse com a presença de diferentes tipos de corpo, acabou escondendo os mais fora do padrão, o que rendeu acusações de segregação.

2 – Moda praia

A designer Lenny Niemeyer é um importante nome quando o assunto é trajes de praia. Nessa edição, se diferenciou por escolher uma localização única para expor seu trabalho: a Pinacoteca de São Paulo.

Lenny Niemeyer escolheu a Pinacoteca para desfilar sua coleção moda praia (Reprodução)

3 – Do mundo pop às passarelas

Nicola Formichetti marcou sua presença na SPFW 2019. O estilista já trabalhou diversas vezes com Lady Gaga, incluindo o memorável vestido de carne para o MTV Video Music Awards, e revela que seu desejo é vestir a cantora com roupas brasileiras.

4 – A recordista

A modelo maranhense Amira Pinheiro de 23 anos é a recordista da SPFW 2019, atingindo a marca de 22 desfiles. Ela tem conseguido cada vez mais atenção da indústria internacional, já tendo desfilado em Paris, Milão e Nova York.

Acima Amira Pinheiro, a modelo que mais desfilou na SPFW (Reprodução)

5 – Tropical e brasileira

Nessa edição, passarelas e coleções foram pensadas em volta do conceito de brasilidade, cada uma trabalhando a ideia de uma forma. Seja nos modelos, cores ou movimentos, o Brasil e suas faces marcaram presença na moda da SPFW 2019.

6 – Inédita

A estreante Neriage, vinda da Veste Rio, causou boa impressão com seu Ensaio sobre Nós. Ela trouxe a ideia de movimento com suas peças e uma ode à imperfeição na maquiagem das modelos que desfilavam com sardas e marcas de nascença artificiais.

7 – Luto na passarela

Durante o desfile da Ocksa ocorreu a morte do modelo Talles Cotta. Legistas revelaram que um mal súbito foi o responsável pelas tristes cenas vivenciadas na passarela, que culminou na morte do jovem já no hospital. A tragédia levantou muitos debates sobre a forma com que modelos são tratados por marcas e agências e como o mundo da moda deve repensar seus ideais, uma vez que o show continuou normalmente após Cotta ter sido socorrido.

A morte do modelo Talles Cotta abalou o público em geral e abriu discussões sobre o funcionamento do mundo da moda (Reprodução)

8 – Militância ou oportunismo?

O designer Ronaldo Fraga criou um universo de militância em sua passarela. Inspirado pelos painéis Guerra e Paz do Cândido Portinari, o desfile foi tecido em volta de imagens da militarização da sociedade atual, para criticar acontecimentos como o dos 80 tiros, o assassinato de Marielle Franco e a situação indígena. Ele fez uso de capacetes e estampas de espinhos e sangue como forma de protesto. Contando com bandeiras LGBT, túnicas que desafiam o binário e pombas brancas, a passarela foi a forma que Fraga encontrou de resistência. Porém, o desfile não foi lido assim por todos, houveram muitas críticas por parte das militâncias negra e LGBT, que viram a coleção como de mau gosto. A família da vereadora assassinada também se pronunciou sobre o assunto nas redes sociais e em entrevistas.