"Representatividade é sobre ser reconhecido independente dos rótulos": conheça três músicos casperianos LGBT+ - Revista Esquinas

“Representatividade é sobre ser reconhecido independente dos rótulos”: conheça três músicos casperianos LGBT+

Por Rafaela Vazquez e Sophye Fiori : junho 30, 2021

Carol Helena, Victor Toledo e Melissa Carraro, músicos estudantes da Cásper que fazem parte da comunidade LGBT+, dividem suas vivências em relação ao acolhimento e à arte

Seja com letras que contem uma história pessoal ou reimaginando uma canção para a performance, a música serve como forma de expressão do artista que a interpreta. Para o movimento LGBT+, que celebra o dia do Orgulho em 28 de junho, ela é especialmente importante. Músicos que fazem parte dessa comunidade mostram ao mundo sua verdade por meio de diferentes ritmos e trazem identificação para seus fãs. Carol Helena, Victor Toledo e Melissa Carraro são artistas alunos da Faculdade Cásper Líbero que se identificam com a sigla LGBT+ e contam suas histórias através dessa forma de expressão.

Carol Helena

Carol Helena tem 22 anos e cursa o quarto ano de Rádio, TV & Internet na Cásper. Segundo a artista, se assumir não foi fácil. Carol relata que sofreu preconceito por parte da família, mas, de acordo com ela, tudo é um processo. Seus amigos, por outro lado, reagiram com aceitação e tranquilidade

Carol sente atração por mulheres, mas não rotula sua sexualidade – hoje, ela mora com sua namorada. As letras de todas as suas músicas falam sobre o amor entre duas mulheres. Tendo o pop e a MPB como principais ritmos, Carol considera importante se posicionar, se assumir publicamente e passar mensagens de apoio às pessoas que possam se identificar.

A música se faz presente na vida da jovem desde o início da adolescência, quando fez aulas de piano e violino, que despertaram sua paixão pela arte. Na Cásper, ela pôde aprender sobre as etapas de produção, a criação de uma rede de comunicação e conheceu um amigo que a recomendou seu atual produtor. A compositora não pretende seguir carreira na área de sua formação, porém a graduação, para ela, é uma ferramenta fundamental para a vida artística.

Carol, mais jovem, tocando piano

Victor Toledo

Victor Toledo, 19, é estudante do segundo ano de Relações Públicas e teve um processo leve e fácil em contar sobre a sexualidade para a família e amigos. Vitinho se entende como homem gay apesar de não acreditar na fixação de rótulos, mas na fluidez do espectro. Ele utiliza suas redes como Instagram e TikTok para exibir seus talentos com canto e dança. Sua relação com as artes é de empoderamento e libertação. Tendo como inspiração Pabllo Vittar, sua motivação é mobilizar positivamente as pessoas da comunidade com seu trabalho de forma política, social e cultural.

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Vitinho diz não tem o intuito de manter a comunidade LGBT+ como único foco de suas composições, mas quer dedicar uma parcela de suas canções a esse público. Segundo ele, “representatividade é sobre ser reconhecido independente dos rótulos”. Na graduação de RP, Victor levanta que aprendeu a aliar o conhecimento à ambição artística.

Melissa Carraro

Melissa Carraro, do primeiro ano de Jornalismo, é assumidamente lésbica. Ela se considera sortuda pela aceitação dos pais em relação à sua sexualidade e pelo carinho que recebeu. A cantora de 18 anos divide que, por muito tempo, se sentiu pressionada a sentir atração por homens, processo que recebe o nome de heterossexualidade compulsória. Nesse período, ela até chegou a namorar um garoto, em quem deu o primeiro beijo, mas afirma ter tido essa relação como uma amizade e sem atração

Mel foi inserida na música quase automaticamente. Quando era mais nova, seu pai tinha uma banda e a primeira composição da jovem foi aos sete anos, de forma natural, no balanço da casa de seu avô. Hoje, além de fazer covers, ela compõe músicas que, em sua maioria, são sobre amor.

A busca por um amor universal é retratada na ausência de pronomes que definam gêneros em suas músicas. Ela considera que esses detalhes de seu trabalho são um apoio à comundidade. Além disso, ela acha importante falar com orgulho sobre o movimento para que as pessoas entendam que o autor tem uma posição. Mel sempre foi interessada por comunicação. Quando ingressou em Jornalismo na Cásper Líbero, ficou muito feliz em fazer parte da Frente LGBT+ da faculdade. Ela afirma ter se sentido acolhida e segura com a diversidade do ambiente.

Carol, Victor e Melissa acreditam que a paciência seja uma virtude importante para quem ainda não se assumiu. Os três afirmam que isso é um processo e a integridade de quem está esperando o melhor momento para se abrir deve ser priorizada, ainda que seja difícil esconder a verdade.