Juventude engajada: alunos da USP e Unicamp contam como abraçaram projetos sociais  - Revista Esquinas

Juventude engajada: alunos da USP e Unicamp contam como abraçaram projetos sociais 

Por Maria Luiza Lima, Natália Tavares Leite Vieira e Vitória Prates : maio 24, 2021

Estudantes detalham rotina e importância de três projetos sociais que surgiram em suas universidades, além das dificuldades impostas pela pandemia

Educação, formação profissional e ajuda social são alguns dos pilares que sustentam o Cursinho Popular da EACH – USP, a Liga de Marketing da Unicamp e o “Seja um amigo do HC”, Campanha Solidária da mesma universidade. Organizações feitas por jovens universitários engajados com projetos sociais. Mesmo durante a pandemia, esses estudantes se juntaram para, à sua maneira, gerarem um impacto positivo em diferentes comunidades e instituições.

Educação para todos: Cursinho Popular da EACH – USP 

“É muito gostoso estar com pessoas que têm o mesmo objetivo e a mesma causa que você, que acreditam na educação’’, conta Joyce Maia, diretora geral do Cursinho Popular da EACH – USP e estudante de Gestão Ambiental. Com essa função, a jovem de 21 anos é responsável pela coordenação, partes burocráticas da organização e engajamento nas redes, além de fazer a ponte com as parcerias externas que o cursinho mantém. Mas ela reforça que “não é uma hierarquia de poder. Todo mundo tem a mesma voz lá dentro’’.

Entrou no cursinho em 2019 e até ano passado integrava a parte pedagógica, mas não foi lá que Joyce teve seu primeiro contato com iniciativas sociais voltadas à educação: “Eu fazia parte de um outro projeto. Nós dávamos aulas de educação ambiental em uma escola pública na Zona Leste de São Paulo. Foi o grande amor da minha vida’’, lembra.

O cursinho popular da EACH é voltado para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Toda a equipe administrativa é formada por alunos e parte dos professores da universidade. Esse ano, devido à pandemia, eles abriram mais 15 vagas para pré-vestibulandos, resultando em 135 no total.

“A gente sabe o tanto que o nosso horizonte se expande depois de entrar na universidade. Temos a missão de levar isso cada vez mais para outras pessoas’’, finaliza Joyce.

Foco profissionalizante: Liga de Marketing da Unicamp 

“Desde quando ingressei na faculdade, a Liga de Marketing da Unicamp já se mostrava uma organização diferente em diversos quesitos, mas o que me chamou atenção foi a maneira como eles abordavam a área com eventos, palestras, treinamentos e postagens em suas redes”, afirma Matheus Yuri Sasaki, estudante de Engenharia de Manufatura que, atualmente, também ocupa o cargo de Gestor de Projetos na instituição.

A Liga é uma organização estudantil sem fins lucrativos, criada com o objetivo de aprofundar o conhecimento dos integrantes e alunos do campus de Limeira na área de marketing, além de realizar articulações sobre o tema dentro e fora do ambiente universitário.

Com a pandemia da covid-19, algumas adaptações tiveram que ser feitas para dar continuidade ao trabalho. Para o presidente Eric Nascimento, “a pandemia quebrou as expectativas da Gestão da Liga para 2020, começando pelo nosso processo seletivo que teve que ser totalmente readaptado, assim como o planejamento estratégico como um todo”. Além dos desafios do método online, que, segundo ele, teve de ser adotado de forma brusca.

No entanto, a falta de integração presencial não impediu o prosseguimento das atividades e representou uma grande forma de inovação para todos. “Passamos a fazer dinâmicas em grupo de maneira virtual durante as capacitações para colocar o conhecimento adquirido em prática”, afirma a Diretora de Capacitação, Caroline Kaori. “Ademais, como forma de compartilhar conteúdo para o público externo, também passamos a produzir podcasts, disponibilizados no Spotify, vídeos em formato TikTok e Reels no Instagram”.

“Pretendemos continuar difundindo o conhecimento de marketing de maneiras cada vez mais abrangentes e fazer com que a organização evolua cada vez mais”, diz Matheus Yuri.

Projetos sociais: “Seja um amigo do HC”

Assim como muitas casas de saúde, o Hospital das Clínicas da Unicamp está passando por dificuldades na pandemia, devido ao avanço da covid-19 e à escassez de recursos financeiros. Atualmente, a instituição precisa de cerca de 5 milhões de reais para manter o funcionamento. Com o intuito de arrecadar fundos para o hospital, três estudantes de Engenharia Química da universidade resolveram criar o projeto “Seja um amigo do HC”, que busca conscientizar e reunir doações. “Não sabemos quantas pessoas vamos conseguir atingir, então estipulamos uma meta de 5 mil reais. Esperamos pelo menos isso, mas quando vou dormir, penso: ‘Quero muito dobrar essa meta'”, revela Letícia Furlan, uma das coordenadoras e idealizadoras do projeto.

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Junto a ela, Camila Castanho e Rafaele Steffen reuniram entidades como o programa de educação tutorial (PET) da Faculdade de Engenharia Química, a atlética, o centro acadêmico e a empresa júnior da universidade, em prol de algo maior. “Ano passado, já tínhamos feito um projeto de arrecadação para o HC da Unicamp, mas foi uma coisa bem pontual. Esse ano, entramos com a vontade de fazer algo mais duradouro, com um impacto maior”, conta Camila.

De acordo com Rafaele, o cenário da pandemia contribuiu para que elas tivessem vontade de se engajarem socialmente: “Principalmente nesse momento tão tenso, pensamos: ‘O que a gente vai fazer dentro de casa sozinho?’, mas nós não estamos sozinhos. Queremos reunir cada vez mais gente e esse é um dos motivos de termos juntado tantas entidades e agregado tantas pessoas.”

O projeto, inclusive, conta com a participação do Hospital das Clínicas na divulgação com o logo e o nome da campanha. “Eles já se mostraram super contentes por esse projeto estar acontecendo. Sempre é legal ter alguém ajudando e eles estão precisando desse apoio”, detalha Camila. Sobre o futuro, as meninas não se enxergam longe de projetos sociais:  “A gente não vai conseguir viver sem depois. É uma coisa que deixa a gente muito feliz e que nos motiva”, reflete Letícia. Camila completa: “Quero trabalhar em algo que envolva isso, porque, senão, não sentiria que meu trabalho está gerando frutos para a sociedade e isso é o mais importante para mim.”

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