Rappers consolidados, MC Alves e Nauí contam como batalhas de rap foram ponto de partida da carreira - Revista Esquinas

Rappers consolidados, MC Alves e Nauí contam como batalhas de rap foram ponto de partida da carreira

Por Maria Clara Villela : maio 20, 2021

Recentemente reconhecido de forma ampla, o rap nacional vem crescendo exponencialmente no Brasil com o impulso pelas redes sociais.

Recentemente reconhecido de forma ampla, o rap nacional vem crescendo exponencialmente no Brasil com o impulso das redes sociais

Fenômenos em plataformas como YouTube e Twitch, as batalhas de rap são um ponto de partida comum para grande parte dos artistas nacionais do ramo. Sendo um movimento artístico periférico, o rap nacional levou décadas para ser devidamente reconhecido no Brasil.

Segundo uma pesquisa feita pela Barcelona Music and Audio Technologies (BMAT) – empresa que reúne dados de serviços de streaming de música -, até os anos 2000, o rap brasileiro apresentava números inexpressivos apesar de o movimento estar presente no país desde 1980. Os dados também apontam que somente em 2018 as músicas do gênero apareceram entre as 200 mais tocadas no Brasil naquele ano. Na mesma época, as batalhas de rap se tornavam virais entre os brasileiros.

Enquanto na televisão é raro ver os confrontos de rimas improvisadas, as redes sociais viabilizam a divulgação das composições desses artistas de forma mais rápida. É o que diz MC Alves, rapper brasiliense de 24 anos e vice-campeão nacional de rap em 2015 na Liga dos MCs, “consigo publicar um reels no instagram e gerar engajamento de um público que talvez não fosse ter acesso ao meu trabalho”.

 

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O rapper, que é um dos precursores da Batalha do Museu, a maior batalha do estilo no Centro-Oeste, também enfatiza a importância do compartilhamento, pois traz “visibilidade para artistas do meio”. Segundo Alves, o rap retrata de forma fiel a realidade da periferia brasileira, que precisa ser mais ouvida. “Pelas redes sociais, posso compartilhar com muito mais pessoas as minhas letras”, ele explica.

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No fluxo da rima

Um renascer constante

Ritmos de batalha musical

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MC Alves e MC Nicolas Walter
Reprodução youtube

A falta de representatividade do estilo musical na grande mídia também é destacada por Mc Nauí, cantor brasiliense que é um dos maiores representantes do estilo musical no Distrito Federal. Segundo o rapper, que começou sua carreira nas batalhas de rap em 2011, fazer sucesso cantando rap no início de sua trajetória parecia ser um sonho distante. “Eu costumava assistir MTV sempre e eram poucas as vezes em que eu via um rapper ter sua música divulgada ali”.

 

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A baixa repercussão de artistas do meio foi realidade por muito tempo no Brasil. O Duelo Nacional de MCs, maior evento do estilo musical no país, teve seu início singelo em 2007 e demorou anos para obter reconhecimento. Foi em 2012 , quando passou a ser gravado e postado no YouTube, que o evento ganhou repercussão e se expandiu. Vídeos do duelo passaram a alcançar milhões de visualizações, atraindo patrocinadores que colaboraram para uma melhoria na estrutura. Mc Nauí, que competiu no evento em 2014, evidenciou a importância da postagem do campeonato em redes sociais.

Para sua carreira, Nauí considera a divulgação na internet essencial. “As redes sociais são meu meio de me comunicar com meu público que está espalhado por aí. Tenho fãs até em Portugal e não acho que seria capaz de alcançá-los sem as redes”, ele revela. Ainda, o cantor vê nas redes um espaço para criar laços. “Estou produzindo um novo álbum, e alguns dos artistas ali presentes entrei em contato via instagram, como a Ellen Oléria, ganhadora do The Voice Brasil em 2015″, exemplifica.

nauí ellen Oléria batalhas de rap

MC Nauí e Ellen Oléria
reprodução

Nauí também destaca que  “os rappers, hoje em dia, têm muito mais voz que no passado. A internet é uma importante ponte para que artistas cheguem à televisão, e fico muito feliz de saber que estamos sendo finalmente ouvidos e reconhecidos”. Como exemplo desse avanço no reconhecimento, ele cita a aparição de Djonga no Fantástico, que afirmou: “o rap hoje toca no Fantástico, já saiu da marginalidade”.

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