REVISTA DIGITAL LABORATÓRIO
DA FACULDADE CÁSPER LIBERO
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Por Lívia Vitale e Marcela Schiavon Edição #60

O mundo a florescer

Especial Holanda

Entre a comercialização e a beleza, Keukenhof se destaca como referência no protagonismo das tulipas

Holambra, localizada no interior do estado de São Paulo, corresponde ao principal produtor de flores do país. A cidade é nomeada assim, pois as três primeiras letras remetem ao país europeu, as três últimas ao latino e as duas do meio à América. Mas, o que poucos sabem é que o local foi administrado por holandeses e, por isso, garante reconhecimento. Já existe um lugar conhecido como o “país das flores”, e é de lá que vem a tradição do cultivo das tulipas.

A partir do começo de março até o final de maio, as tulipas transformam grandes partes da Holanda em uma colcha de retalhos colorida. Quando se vai ao país em abril para ver as tulipas florescerem, não importa para onde se olhe, os campos serão diferentes e, sem dúvida, coloridos. O Keukenhof é um parque diverso. Próximo a ele e ainda na estrada, nota-se uma pintura expressionista formada por plantações. Ao entrar no parque, o aroma é inconfundível, penetrando em cada poro do corpo,  complementando os sentidos. Crianças, idosos, animais de estimação, todos são bem-vindos. A acessibilidade é enorme e o ambiente, acolhedor, já que os corredores são amplos, planos e não há escadas.

As variedades

Do centro da folhagem surge uma haste, com uma flor composta por seis pétalas, com cores e formatos múltiplos: a tulipa. A palavra persa significa turbante. Todas as flores produzidas são enviadas para o mundo, inclusive para a América Latina. Há tantas variedades de tulipas, que a sociedade Horticultural da Holanda as agrupou em várias especificações, com diferentes tipos. Com aproximadamente cem espécies, as tulipas possuem folhas de diversos formatos. Existem muitas variedades cultivadas com tons matizados, pontas picotadas, cores fortes, dentre outros. Um exemplo diferente de tulipa é a riscada, que teve origem por meio de um vírus. Segundo informações do próprio parque mais de 90% das tulipas plantadas são descartadas graças às variações que as tornam menos “bonitas” para a venda.

Para ter uma tulipa no quintal, no Brasil, deve-se fazer um teste de paciência. O primeiro florescer desse gênero ocorre a cada cinco anos. Para vendê-las é preciso aguardar ainda mais, ou seja, elas só podem ir à venda após 25 anos. Embora as tulipas não se adaptem bem ao clima brasileiro, se o desejo for muito grande é possível induzir a planta, simulando as condições climáticas do seu habitat natural para estimular os bolbos a rebrotarem. Siem van Holsteijn é engenheiro ambiental holandês e afirma que em 1637 começou a procura pelas tulipas: “Pessoas na Holanda chegaram a pagar por um bulbo de tulipa mais do que o preço de uma casa!”. Após esse auge, os holandeses começaram a perceber que o clima na holandês é perfeito para o cultivo. Cidades como Hillegom e Lisse, onde fica o Keukenhof, ficam abaixo do nível do mar, facilitando o cultivo de novos tipos de tulipa.

São sete milhões de bulbos plantados à mão no jardim holandês. Foto por Lívia Vitale

Turismo no parque

O frio não atrai muitas pessoas na época de visitação do Keukenhof, porém ele é ótimo para as plantas. Por isso que as tulipas necessitam ficar seis semanas na geladeira no Brasil, mas na Holanda só é preciso plantar. No parque, funcionários plantam em diferentes períodos para que sempre haja flores de diversas espécies. Eles colocam fertilizantes nas tulipas para que elas cresçam sem parar. Paradoxal por natureza, as tulipas se adequam ao frio com neve e ao verão seco e exigem cuidados. Os bulbos são mecanismos de sobrevivência, ou seja, reservas para períodos desfavoráveis, protegendo do calor e do frio. A base é a natureza, mas o manuseio não deixa de seguir a lógica humana, que busca significados e interesses. É explícito que logo após o posto de reserva natural, o parque significa lucro e turismo para todos os lados.

Ainda segundo o holandês Siem, “no parque de Keukenhof são plantadas a cada ano sete milhões de flores. Além de tulipas, há também narcisos e jacintos e os holandeses são bons em marketing. Produzimos tulipas e vendemos mundo afora, porque as tulipas são nosso produto símbolo”. Aproximadamente um milhão de pessoas visitam o parque a cada ano, o que corresponde a quase a população total de Amsterdã, com cerca de 800 mil habitantes.