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DA FACULDADE CÁSPER LIBERO
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Por Paula Leal Mascaro Edição #61

Para cantar, dançar e atuar

Escolas de preparação de atores para o teatro musical ganham espaço com o crescimento de montagens do gênero em São Paulo

Não é a Broadway. Mas o Brasil é o terceiro maior produtor de espetáculos de teatro musical do mundo, de acordo com o ator e produtor cultural Cleto Baccic que já atuou em musicais como Mama Mia e O Homem de la Mancha. Porém, para alcançar tamanha projeção, foi preciso entender o mercado e buscar a profissionalização no segmento para atender a padrões de excelência internacionais. E dentre os desafios para o setor no Brasil, encontrar atores preparados, com formação artística completa era o maior de todos. Se antes eram reduzidas as possibilidades de um ator no país receber uma formação de qualidade para se tornar um performer (nome comercial utilizado para designar o ator que canta e dança e interpreta), hoje escolas de teatro musical proliferam em São Paulo, como a Teen Brodway, 4Act, Estudio Broadway, CP Musical. Todas com um único propósito: ensinar as técnicas necessárias para que o profissional possa atuar em um grande musical.

Diversas escolas de teatro surfaram na onda do boom causado pela estreia do musical Les Miserables no Brasil, em 2001. A Casa de Artes Operária é uma delas. O ano era 2003 e, segundo Cristiane Longhi, proprietária da escola, alguns atores e bailarinos que passaram na audição para o musical Chicago não cantavam muito bem. Na época, ela e a atriz Ana Taglianetti se juntaram para oferecer aulas de canto a esses atores. E foi assim que a Operária iniciou suas atividades. Hoje, a escola oferece uma variedade de cursos livres, além do canto para quem deseja se profissionalizar na área.

Cleto Baccic em O Homem de La Mancha: “Antes de 2001, os atores apenas atuavam e não tinham formação complementar”

Com uma proposta diferente, a Escola de Teatro CP Musical, que atua há cinco anos no mercado artístico, oferece um curso profissionalizante com duração de trinta meses. Após o cumprimento da carga horária, o aluno recebe um certificado e já pode solicitar o registro para exercer a profissão de ator, conhecido como DRT. A escola, de acordo com o proprietário Fábio Singillo, tem uma estrutura pedagógica com intuito não somente de formar um ator musical completo. Fazem parte da grade de ensino do curso profissionalizante aulas de história do teatro e fundamentos da interpretação teatral, além das aulas de canto, dança e interpretação.

Nessa mesma linha, outras escolas também oferecem cursos profissionalizantes, como a 4act e o SESI. O ator Cleto Baccic considera o curso do SESI, com três anos de duração, que ele idealizou e ajudou a criar em 2013, o primeiro curso técnico de atuação em teatro musical (necessário ter o ensino médio completo) no Brasil. “Faltava um curso técnico que formasse atores completos, artistas que pudessem corresponder à demanda de mercado”. Baccic conta que antes de 2001, os atores que apenas atuavam e queriam entrar no teatro musical tinham formação fragmentada, pois não era possível encontrar todas as modalidades em um só local. “E creio que foi assim que a esmagadora maioria se preparou. Ia fazer uma aula de canto em um lugar, dança em outro. O mercado absorvia esse tipo de profissional, sem a devida qualificação acadêmica, teórica e prática. O ator tinha que aprender na raça”.

 

Expectativas do mercado

Fazer um curso profissionalizante de teatro musical de dois a três anos de duração deve ser encarado apenas como um primeiro passo para a carreira. Como lembra a professora de dança Alexa Gomes, que trabalha há mais de 30 anos no mercado, é preciso “investir em cursos de aperfeiçoamento, pois o corpo é ferramenta de trabalho”. A nova geração já esboça sinais de que entendeu a importância de investir na profissão. Valéria Luizetti, atriz e bailarina, conta que começou a ter aulas de dança aos seis anos de idade. Ainda hoje, aos vinte e dois anos, a jovem continua se aperfeiçoando com aulas de canto e dança. Mas ressalta que o custo para se manter atualizada neste mercado é caro. “Uma aula com um bom professor de canto custa, em média, 150 reais por hora”. Ela conta ainda que as chances de frustação são grandes. “É muita gente querendo e poucas vagas disponíveis”.

Além do crescimento das escolas de teatro musical, o segmento não influencia apenas no trabalho de atores. Para Christiane Longhi, os grandes musicais aquecem o mercado de trabalho e dão oportunidade para muitos profissionais – técnicos em luz e som, figurinistas, visagistas, maquiadores, costureiras, músicos.

Se o mercado conseguirá absorver os novos atores que estão se formando nessas escolas, só o tempo dirá. As adaptações da Broadway parecem agradar cada vez mais o público brasileiro que lota teatros e chancela a arte em que a dança, a música, o canto e a interpretação se misturam para dar vida às mais diversas histórias.Singillo acredita que empresas como a Time 4 Fun garantem a consolidação do segmento no Brasil, e, portanto, os grandes musicais devem perdurar. Para Paula Capovilla, atriz que atuou em musicais como Mamma Mia e Chaplin, “a fórmula norte-americana de musicais continuará a fazer sucesso por aqui, pois o gênero agrada muito o público brasileiro”.