REVISTA DIGITAL LABORATÓRIO
DA FACULDADE CÁSPER LIBERO
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Por Ana Clara Matsuguma Edição #63

A jornada da maternidade

Como a gravidez transformou minha vida, para melhor

É natural do ser humano querer planejar cada fase da sua vida, traçar suas metas e buscar conquistas, seja na vida pessoal ou profissional. Mas, nem sempre tudo acontece da forma que esperamos ou no momento que desejamos. Comigo foi exatamente assim. Enxerguei minha vida, meus planos, meus medos e preocupações mudarem na madrugada do dia 15 de novembro de 2017, quando eu e meu namorado descobrimos que eu estava grávida. Depois de fazer dois exames de farmácia e um exame de sangue para confirmar, fomos tomados pelo desespero, não sabíamos o que fazer e muito menos o que pensar. Afinal, não estava nos nossos planos nos tornarmos pais tão cedo, aos 21 anos e sem pelo menos termos finalizado a graduação.

Minha primeira grande preocupação era de como contar a notícia para os nossos pais, como eles reagiriam e o que iriam sentir, já que a novidade afetaria também suas vidas. Tudo que é inesperado apavora, e com eles não foi diferente, depois do susto e horas de conversa, veio o apoio tanto da minha família quanto da família do meu namorado, que desde então vêm sendo nossa força e nossa base para enfrentar essa nova fase, e os desafios que passamos e temos pela frente.

Nos primeiros meses de gravidez, foram dias e dias de aceitação e bastante paciência para lidar com as náuseas e vômitos, que me fizeram pedir demissão do trabalho em pouco tempo. Já no caso da faculdade, ainda faltavam dois anos para eu me formar na época da descoberta e trancar matrícula nunca foi uma opção. Mesmo sabendo que seria complicado, a graduação permaneceria sendo uma das minhas prioridades, e assim durante o meu terceiro ano, em 2018, continuaria indo às aulas normalmente e apenas tiraria a licença maternidade. Fiz isso pois eu tinha medo de depois não conseguir voltar para terminar o curso.

Com isso, além de adaptar meus objetivos e sonhos individuais com as novas responsabilidades, mudei e ainda me vejo mudando muito como pessoa diante as experiências que vivo. Amadureci, passei a pensar diferente, ver que sou capaz de muito mais do que eu imaginava e, principalmente, dar valor e me preocupar com as coisas que realmente importam, esquecendo de futilidades que antes poderiam vir a me chatear, como julgamentos, opiniões e até mesmo as mudanças com o corpo. Da mesma forma, enxerguei a necessidade de dar mais atenção para minha saúde, minha alimentação, melhorar meu estilo de vida, ser uma pessoa melhor, pois qualquer descuido poderia afetar o desenvolvimento do bebê.

Uma das minhas maiores alegrias foi descobrir que seria mãe de uma menina, o que sempre foi minha vontade desde que descobri sobre a gravidez, e rapidamente, decidimos que o nome seria Sofia. É inexplicável a sensação de gerar um ser humano, uma nova vida dentro de você, estar conectada com ela a cada passo e acompanhar cada fase do seu crescimento, imaginar sua aparência, jeito, personalidade, ou com quem ela vai ser mais parecida.

Os meses, as semanas vão passando e os medos vão se transformando em ansiedade, o desespero em felicidade. Todos os pensamentos e planejamentos são voltados para ela, você se coloca em segundo plano em qualquer situação pois tudo que gira ao meu redor coloco ela como prioridade. Quando me dou conta ela é o motivo do meu sorriso, das minhas ações, das minhas evoluções, meu aprendizado e buscar o que há de melhor em mim. Não consigo imaginar nenhum detalhe minha vida na qual ela não esteja presente, que não mudaria uma vírgula dessa jornada, dessa experiência que ainda está só começando, e que hoje sem dúvidas, ela é a certeza da minha vida.